Bovinos de Corte

Simpósio reforça que futuro da carne depende de eficiência, sustentabilidade e conexão com o consumidor

Evento em Mato Grosso reúne especialistas, produtores e mercado internacional para discutir tendências da pecuária e percepção do consumidor sobre a carne


Publicado em: 24/03/2026 às 11:55hs

Simpósio reforça que futuro da carne depende de eficiência, sustentabilidade e conexão com o consumidor
Foto: Cairo Lustoza

O 12º Simpósio Nutripura encerrou sua programação destacando um consenso crescente no setor pecuário: o futuro da carne será definido pela integração entre eficiência produtiva, ciência, análise de mercado e conexão com o consumidor. Com o tema “A Carne do Futuro”, o evento reuniu, ao longo de três dias em Rondonópolis e Cuiabá, produtores, pesquisadores e especialistas para discutir os caminhos da pecuária brasileira.

Cenário global e economia ganham protagonismo no debate

Um dos destaques do simpósio foi a participação do economista Alexandre Mendonça de Barros, que abordou os impactos da volatilidade global sobre o agronegócio.

Durante sua apresentação, foram discutidos temas como custos de produção, câmbio, macroeconomia e formação de preços na pecuária de corte. A análise reforçou que fatores externos têm influenciado diretamente as decisões dentro da porteira, tornando essencial a compreensão do cenário econômico e geopolítico.

Tecnologias no campo mostram ganhos expressivos de produtividade

A abertura do evento ocorreu no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, com a realização de um Dia de Campo que apresentou soluções práticas para o aumento da eficiência produtiva.

Os participantes acompanharam tecnologias voltadas à nutrição, manejo e bem-estar animal, além de indicadores de desempenho. Um dos resultados que chamou atenção foi o avanço de 175% na produtividade a pasto em comparação com a média nacional, evidenciando o papel da pesquisa aplicada na evolução da pecuária.

Painel internacional destaca exigências do mercado chinês

Nos dias seguintes, em Cuiabá, o simpósio ampliou o debate para o cenário internacional. O painel “Pecuária brasileira no cenário global: percepção, exigências e oportunidades” reuniu representantes chineses para discutir o posicionamento de um dos principais destinos da carne brasileira.

Entre os temas abordados estiveram qualidade do produto, padronização, exigências comerciais e potencial de expansão. O debate evidenciou que competitividade, rastreabilidade e reputação são fatores cada vez mais determinantes para o acesso aos mercados externos.

Pesquisa revela alta confiança do consumidor na carne brasileira

Outro ponto alto do evento foi a apresentação da pesquisa nacional “O que o brasileiro pensa sobre a carne”, realizada pelo Instituto Qualibest a pedido do movimento “A Carne do Futuro é Animal”.

O levantamento, com 1.021 entrevistados em todo o país, apontou que:

  • 78% consideram importante que a carne seja produzida de forma sustentável
  • 72% pretendem manter o consumo nos próximos seis meses
  • 80% avaliam a carne brasileira como boa ou ótima

Os dados indicam que a confiança no produto permanece elevada, mas acompanhada de maior exigência quanto à origem, transparência e práticas de produção.

Reputação, ciência e comunicação entram na agenda do setor

A programação também abordou temas estratégicos para o futuro da pecuária, como reputação, marketing, ciência, nutrição, manejo, sucessão familiar e comportamento do consumidor.

Entre os participantes estiveram nomes como José Luiz Tejon, Miguel Cavalcanti, Richard Rasmussen, Alexandre Duarte, Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio.

Futuro da carne passa pela integração de toda a cadeia

O simpósio reforçou que o avanço da pecuária brasileira depende de uma visão integrada, que vá além da produção e incorpore fatores econômicos, sociais e ambientais.

A mensagem central do evento é clara: produzir com eficiência continua sendo essencial, mas o sucesso no mercado dependerá cada vez mais da capacidade de atender às demandas do consumidor, garantir sustentabilidade e fortalecer a reputação da cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

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