Publicado em: 20/03/2026 às 08:30hs
A escolha da raça bovina tem papel decisivo na produtividade e na suscetibilidade aos carrapatos nas propriedades rurais. Estudos técnicos amplamente difundidos pela Embrapa indicam que bovinos de origem europeia (Bos taurus) apresentam maior predisposição à infestação pelo carrapato Rhipicephalus microplus, principal ectoparasita da pecuária brasileira.
Em determinadas regiões, estima-se que mais de 90% da carga parasitária esteja concentrada em animais com maior proporção genética europeia.
Por outro lado, os bovinos zebuínos (Bos indicus), como o Nelore — base do rebanho nacional —, possuem maior resistência natural ao carrapato. Dados da ABCZ apontam que essa característica é resultado de adaptações genéticas ao ambiente tropical.
Essa resistência contribui para reduzir a fixação e o desenvolvimento do parasita, tornando o manejo mais eficiente em sistemas baseados nessas raças.
Características físicas e imunológicas fazem diferença
A diferença na suscetibilidade entre as raças está relacionada a fatores como:
Nos zebuínos, esses fatores dificultam a alimentação e reprodução do carrapato. Já nos animais europeus, a pele mais fina e a menor resistência natural favorecem a proliferação do parasita, especialmente em sistemas intensivos de produção.
Nos últimos anos, os cruzamentos industriais — como entre Angus e Nelore — ganharam espaço ao combinar qualidade de carne e adaptação ao clima.
Segundo Fernando Dambrós, gerente de produtos antiparasitários da Ourofino Saúde Animal, esses animais apresentam resistência intermediária, mas continuam expostos aos riscos.
“Animais cruzados podem ter maior equilíbrio entre desempenho e resistência, porém isso não elimina a necessidade de controle. O sucesso depende de um programa sanitário bem estruturado e ajustado ao perfil do rebanho”, explica.
De acordo com o especialista, propriedades com maior proporção de sangue europeu tendem a registrar infestações mais intensas e exigem monitoramento mais frequente.
Além disso, fatores climáticos, como altas temperaturas e umidade, aumentam a pressão parasitária, exigindo atenção redobrada por parte dos produtores.
Mesmo em rebanhos predominantemente zebuínos, a resistência genética não significa imunidade. Em situações de alta infestação, os animais também podem apresentar cargas elevadas de carrapatos, comprometendo o desempenho produtivo.
Além disso, o carrapato é vetor da Tristeza Parasitária Bovina (TPB), elevando os riscos sanitários nas propriedades.
Outro desafio no controle é o uso incorreto de antiparasitários. Aplicações em intervalos inadequados ou sem orientação técnica favorecem a seleção de carrapatos resistentes aos princípios ativos, dificultando o manejo ao longo do tempo.
Dentro desse contexto, a Ourofino Saúde Animal destaca soluções como o NexLaner, ectoparasiticida à base de fluralaner desenvolvido no Brasil, voltado para ampliar a eficiência no controle do carrapato.
A evolução genética do rebanho brasileiro segue como um dos pilares da competitividade da pecuária. No entanto, especialistas reforçam que produtividade e sanidade devem caminhar juntas.
Independentemente da raça — europeia, zebuína ou cruzada —, o controle de carrapatos deve ser planejado de forma estratégica, considerando clima, pressão ambiental e perfil genético dos animais.
A adoção de práticas adequadas impacta diretamente o desempenho produtivo e a sustentabilidade dos sistemas pecuários ao longo do ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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