Qualidade da água na pecuária influencia ganho de peso, saúde e consumo do rebanho
Bebedouros limpos, vazão adequada e proteção das fontes de abastecimento ajudam a preservar o desempenho dos bovinos em sistemas a pasto e em confinamento
Publicado em: 08/10/2026 às 15:30hs
A qualidade da água fornecida aos bovinos pode afetar o consumo de alimentos, o ganho de peso e os resultados produtivos da fazenda. Além de garantir volume suficiente, o pecuarista precisa acompanhar as condições dos bebedouros, proteger as fontes de abastecimento e manter uma rotina de limpeza.
Segundo o zootecnista Bruno Marson, diretor técnico industrial da Connan, água com lodo, fezes ou outros resíduos tende a reduzir a ingestão pelos animais. Esse comportamento também pode diminuir o consumo de alimento e comprometer o desempenho do rebanho, tanto a pasto quanto em confinamento.
A água representa entre 50% e 70% do peso corporal dos bovinos e participa de funções como digestão e absorção de nutrientes. Marson ressalta que perdas de 10% a 12% da água corporal podem levar o animal à morte, evidenciando a importância do abastecimento adequado.
Água suja pode reduzir consumo e ganho de peso
A disponibilidade de água limpa é parte do manejo nutricional. Quando o animal encontra dificuldade para beber ou rejeita a água por suas condições, os reflexos podem alcançar a ingestão de alimentos e o desenvolvimento corporal.
De acordo com Marson, o fornecimento de água de melhor qualidade pode favorecer o ganho diário de peso e produzir diferenças relevantes no resultado acumulado ao longo do ciclo.
A contaminação também pode favorecer a transmissão de doenças. O especialista cita verminoses, leptospirose e botulismo entre os riscos associados à água contaminada.
Por isso, a infraestrutura deve combinar qualidade, quantidade e boa vazão, permitindo que os animais tenham acesso ao recurso conforme a necessidade.
Proteção de açudes e córregos reduz contaminação
Uma das medidas indicadas por Marson é impedir o acesso direto do gado a açudes, rios e barreiros. A entrada dos animais pode contaminar a água com fezes e urina, além de revolver o lodo depositado no fundo.
O especialista recomenda cercar as fontes naturais para proteger as margens e conduzir a água por bombeamento até reservatórios centrais. A partir dessas estruturas, o abastecimento dos bebedouros nos pastos pode ocorrer por gravidade, conforme as condições da propriedade.
Essa organização permite maior controle sobre a água oferecida e facilita o manejo dos pontos de consumo.
Desinfecção precisa ser acompanhada de limpeza mecânica
Marson aponta o cloro como uma alternativa de baixo custo para auxiliar na desinfecção da água. Entretanto, ressalta que o tratamento químico precisa estar associado à retirada dos resíduos acumulados.
“Mas nenhum produto químico substitui a limpeza mecânica”, afirma.
A orientação do especialista é limpar os bebedouros pelo menos uma vez por semana. Quando essa frequência não for viável, a inspeção deve integrar a rotina da fazenda, com antecipação da limpeza sempre que houver lodo, algas, fezes ou outros materiais.
O acompanhamento frequente ajuda a identificar problemas antes que eles comprometam o consumo dos animais.
Manejo dos sedimentos pode diminuir desperdício de água
Em regiões sujeitas à seca, a conservação da água também precisa ser considerada durante a higienização.
Entre as alternativas apresentadas pelo zootecnista estão o uso de decantadores e a retirada direcionada dos sedimentos do fundo, com auxílio de motobombas portáteis ou sifões.
Segundo Marson, esse procedimento pode permitir a remoção de apenas 10% a 20% do volume, onde se concentra o material sedimentado, preservando o restante da água limpa. A medida busca conciliar a manutenção das estruturas com a redução do desperdício.
Localização dos bebedouros interfere no acesso do rebanho
A distância até os pontos de água é outro fator que merece atenção. Caminhadas longas podem interferir no consumo e no desempenho dos bovinos.
Marson recomenda distribuir os bebedouros de forma estratégica, considerando o sistema de produção, a organização das áreas e a viabilidade de cada fazenda.
Para o especialista, o manejo da água deve receber atenção semelhante à dedicada à genética, à nutrição e às pastagens. Garantir abastecimento acessível e de qualidade contribui para o bem-estar, o desenvolvimento dos animais e a rentabilidade da atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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