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Bovinos de Corte

Pecuária de corte: margem de lucro e qualidade da carcaça orientam busca por eficiência

Feedlot Summit Brazil 2026 reuniu 2.054 participantes em Goiânia e destacou gestão de custos, nutrição de precisão e uso de tecnologia associado ao resultado econômico


Publicado em: 05/10/2026 às 07:30hs

Pecuária de corte: margem de lucro e qualidade da carcaça orientam busca por eficiência

A eficiência na pecuária de corte depende de transformar produtividade em margem de lucro. Gestão de custos e riscos, decisões orientadas por dados e qualidade da carcaça devem acompanhar os investimentos em tecnologia para fortalecer a competitividade das propriedades.

Essa foi uma das principais conclusões do Feedlot Summit Brazil 2026, realizado de 16 a 18 de setembro, em Goiânia (GO). O encontro reuniu 2.054 participantes, com presença de profissionais do Brasil, de outros países da América do Sul, da África do Sul e da Austrália.

Para Rogério Coan, da Coan Consultoria e organizador do evento, o avanço tecnológico precisa estar diretamente ligado ao retorno econômico de cada sistema produtivo.

“Estamos na era de uma pecuária que busca competitividade e rentabilidade”, afirmou.

Qualidade da carcaça ganha peso na competitividade

Além do desempenho dos animais, Coan destacou a importância de produzir carne adequada às exigências dos compradores. Características como marmoreio e cobertura de gordura foram apontadas como relevantes para acessar mercados de maior valor agregado.

Na avaliação do consultor, a gestão deve conectar o investimento realizado na propriedade ao produto que será entregue ao mercado. Isso exige considerar tanto os custos de produção quanto as características da carne demandada pelos clientes.

Volatilidade exige controle de riscos e decisões bem fundamentadas

O primeiro dia do encontro foi dedicado ao mercado e aos seus efeitos sobre o negócio pecuário. Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da Esalq/Cepea, ressaltou a necessidade de acompanhar as oscilações e utilizar ferramentas de proteção, especialmente em relação ao preço do boi gordo.

Segundo o pesquisador, a volatilidade exige atenção aos investimentos e à preservação do patrimônio da atividade.

Maurício Palma Nogueira, da Attenagro, também defendeu maior rigor nas decisões. Para ele, reduzir o pacote tecnológico sem avaliar seus efeitos sobre o desempenho pode comprometer os resultados.

Durante a apresentação, Nogueira projetou que a pecuária encerraria o ano com 46% dos animais consumindo concentrado em quantidade superior a 1% do peso vivo. Na avaliação dele, a adoção de tecnologia precisa ser proporcional às exigências do sistema e acompanhada de gestão.

Recria intensiva deve considerar nutrição, genética e pastagens

A condução da recria foi outro tema central. Flávio Dutra Rezende, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), contestou a associação automática entre ganhos elevados de peso nessa fase e deposição precoce de gordura.

Segundo ele, uma recria mais intensiva, com dieta ajustada às necessidades dos animais, pode ampliar a musculatura e a área de olho de lombo sem elevar a gordura subcutânea.

O pesquisador destacou que nutrição, genética e manejo de pastagens precisam ser trabalhados em conjunto. Interromper o ganho de peso durante a recria, afirmou, significa deixar de aproveitar parte do potencial desenvolvido nas etapas anteriores.

Produção de volumoso entra na avaliação do retorno econômico

Paulo Prohmann defendeu que as decisões sobre alimentação considerem o resultado do sistema, além do custo imediato dos ingredientes.

“O pasto é mais barato, mas a pergunta é: onde eu ganho mais?”, questionou.

Na avaliação dele, produzir volumoso com eficiência pode apoiar o manejo das pastagens e aumentar a segurança alimentar do rebanho, sobretudo diante de eventos climáticos extremos.

A discussão incluiu a experiência da Fazenda Mater, apresentada pela zootecnista e sucessora Rafaela Sutiro. Ela abordou como a implantação de tecnologia agrega valor ao ciclo completo em uma região onde a pecuária disputa terras com o cultivo de eucalipto.

Diagnóstico das perdas fortalece a gestão sanitária

Na área de saúde animal, Iveraldo Dutra, da Unesp de Jaboticabal (SP), chamou atenção para a necessidade de investigar as causas das mortes no rebanho.

O especialista alertou que a expressão “morte súbita” não esclarece a origem do problema. Também questionou a atribuição automática de perdas a acidentes com serpentes, plantas tóxicas ou enterotoxemia, destacando a importância de considerar outras causas nos confinamentos, como acidose ruminal e timpanismo.

Dutra enfatizou o registro das circunstâncias da ocorrência, das condições do trato e do histórico alimentar, além da investigação por necropsia e coleta adequada de material.

“Se eu quero resolver o problema, eu tenho que conhecer o problema”, afirmou.
Dados, liderança e automação apontam próximos passos

O evento contou com palestrantes da África do Sul, dos Estados Unidos, do Canadá e da Argentina. Conrad Coetzer, consultor sul-africano, destacou a biossegurança, a proteção dos rebanhos e o papel da tecnologia na ampliação da produção de carne.

A programação também abordou métricas para melhorar a margem de lucro, com Antonio Chaker, do Instituto Inttegra, e liderança, com Junior Fernandes, da Grama Pecuária Eficiente.

Com a próxima edição confirmada para setembro de 2027, Coan avalia que a velocidade das decisões será um dos próximos desafios da atividade. Até 2030, ele projeta maior presença de inteligência artificial, aprendizado de máquina e automação na rotina das propriedades, apoiando uma gestão mais precisa do negócio pecuário.

Fonte: Portal do Agronegócio

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