Publicado em: 10/02/2026 às 16:00hs
A cadeia da carne bovina brasileira vai muito além dos cortes nobres servidos à mesa. Da picanha ao sebo, praticamente todas as partes do boi têm destino comercial e valor agregado, fortalecendo um sistema integrado que reduz desperdícios, amplia receitas e atende diferentes demandas globais.
Segundo Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC),
“Quando falamos em exportação de carne, muita gente pensa apenas nos cortes nobres. Mas o diferencial da indústria está no aproveitamento integral do animal, que torna a cadeia mais eficiente, competitiva e sustentável.”
Produtos como picanha e filé mignon continuam sendo a vitrine da carne brasileira, presentes em mercados exigentes como a União Europeia. Esses cortes abastecem restaurantes de alto padrão, varejo premium e food service, impulsionados por padrões sanitários rigorosos e padronização de qualidade.
Cortes do dianteiro e industriais, como acém e paleta, desempenham papel estratégico na segurança alimentar e no processamento de alimentos. Eles são exportados para países como China, Indonésia, Egito, Chile e Filipinas, onde atendem tanto o consumo popular quanto a indústria alimentícia.
Além da carne, miúdos — como fígado, língua, coração, rim, bucho e rabada — têm grande aceitação em mercados como Hong Kong, Vietnã, Nigéria, Costa do Marfim e Peru, integrando receitas tradicionais. Em alguns desses países, a demanda por miúdos supera a procura por cortes nobres do Brasil.
O couro bovino, em versões wet blue e acabado, é exportado para polos industriais da Itália, China, Vietnã, Alemanha e Estados Unidos, abastecendo setores como calçados, bolsas, estofados, moda e automotivo.
O sebo bovino tem destino principalmente na União Europeia, Singapura e Holanda, sendo utilizado em biodiesel, cosméticos, sabões, insumos químicos e até para gerar energia térmica nas plantas industriais.
Da cadeia bovina também saem insumos para a saúde e indústria farmacêutica, como colágeno, gelatina e heparina, exportados para Estados Unidos, Japão, Alemanha e França.
Na nutrição animal e pet food, farinhas de carne e ossos, farinha de sangue e gorduras atendem mercados como Chile, Peru, Colômbia e Tailândia. Até os ossos são reaproveitados, transformados em fertilizantes orgânicos e insumos agrícolas na União Europeia e Canadá.
De acordo com Bruno de Jesus Andrade,
“O aproveitamento integral do boi é um dos grandes diferenciais da pecuária brasileira. Ele permite atender desde mercados sofisticados até demandas ligadas à segurança alimentar, energia e indústria, aumentando a eficiência econômica da cadeia.”
O modelo brasileiro demonstra que a pecuária moderna consegue reduzir desperdícios, gerar receitas diversificadas e atender padrões internacionais de qualidade e sustentabilidade, consolidando-se como referência global no setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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