Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável propõe ajustes no Programa Caminho Verde para ampliar recuperação de pastagens no Brasil
Documento técnico aponta avanços, desafios e recomendações para fortalecer o programa federal de recuperação de pastagens degradadas e ampliar acesso de produtores a crédito e financiamento climático
Publicado em: 30/04/2026 às 13:00hs
A recuperação de pastagens degradadas se tornou um dos principais eixos da política agroambiental brasileira desde 2025, com o lançamento do Programa Caminho Verde Brasil. A iniciativa do Governo Federal prevê a recuperação de até 40 milhões de hectares em dez anos, sem a necessidade de abertura de novas áreas produtivas.
Nesse contexto, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável apresentou um conjunto de recomendações voltadas ao aprimoramento do programa, com foco em ampliar sua efetividade, acessibilidade e impacto no campo.
Documento técnico avalia avanços e pontos críticos do Caminho Verde Brasil
As recomendações foram elaboradas pelo Grupo de Trabalho de Terra (GT de Terra) da instituição e reúnem uma análise técnica sobre o desenho da política pública, destacando pontos positivos, desafios operacionais e propostas de aprimoramento.
De acordo com a presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes, a iniciativa representa um avanço importante na integração entre produção agropecuária, sustentabilidade e mitigação de emissões.
“O compromisso com o aumento da produtividade sem expansão de áreas é um dos principais méritos do programa. A recuperação de pastagens é estratégica para reduzir emissões e aliviar a pressão sobre novas fronteiras agrícolas”, afirma.
Financiamento climático e integração com cadeia produtiva são destaques
O documento também destaca a sinergia do Caminho Verde com políticas já existentes, como o Plano ABC+, e aponta oportunidades de ampliação por meio de mecanismos de financiamento climático.
Segundo a entidade, instrumentos como créditos de carbono e programas de “insetting” podem fortalecer a conexão entre produtores e compradores ao longo da cadeia produtiva.
“A integração entre produtores e compradores pode abrir novas fontes de financiamento para a recuperação de pastagens, gerando benefícios compartilhados e fortalecendo a descarbonização da cadeia”, explica Ana Doralina.
Desafios apontados incluem critérios técnicos e acesso desigual
Apesar dos avanços, o estudo aponta entraves que podem comprometer a efetividade do programa no médio e longo prazo. Entre os principais desafios estão:
- Falta de definição clara para conceitos como “pastagens degradadas”
- Ausência de parâmetros objetivos para boas práticas agropecuárias
- Risco de concentração dos benefícios em grandes propriedades
- Incertezas sobre regras de adesão e permanência no programa
- Limitações na assistência técnica disponível ao produtor
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a clareza operacional será decisiva para o sucesso da política.
“Sem critérios bem definidos e instrumentos acessíveis, o programa pode não alcançar todo o seu potencial no campo”, avalia.
Capacidade operacional e crédito são pontos de atenção
Outro ponto destacado no documento é a necessidade de estruturação adequada para atingir as metas estabelecidas pelo programa, incluindo:
- Oferta de insumos e tecnologias
- Expansão da assistência técnica rural
- Sistemas eficientes de monitoramento
- Diretrizes para reconhecimento de carbono no solo
A ausência de regras consolidadas para mensuração de resultados ambientais também é apontada como um fator que pode limitar o engajamento do setor privado.
Recomendações buscam ampliar inclusão e previsibilidade no campo
Como proposta central, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável defende ajustes técnicos e institucionais para ampliar o alcance do Caminho Verde Brasil, com destaque para:
- Maior integração com políticas públicas já existentes
- Fortalecimento da assistência técnica ao produtor
- Ampliação do acesso ao crédito rural
- Inclusão de pequenos e médios produtores
- Estruturação de financiamento climático na cadeia produtiva
No campo da governança, o documento também propõe a criação de espaços permanentes de diálogo entre governo, setor produtivo e sociedade civil, com foco em transparência e evolução contínua da política.
Próximos passos incluem guia técnico para produtores
Como desdobramento das recomendações, o Grupo de Trabalho de Terra pretende desenvolver um guia técnico voltado aos produtores rurais, com orientações práticas sobre acesso a crédito e adesão às iniciativas de recuperação de pastagens.
A proposta é facilitar a implementação das políticas no campo e ampliar a participação dos produtores no programa.
O documento da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável reforça que a recuperação de pastagens é um dos pilares para uma pecuária mais eficiente e de baixo impacto ambiental no Brasil. No entanto, destaca que ajustes técnicos, maior clareza operacional e inclusão produtiva serão fundamentais para que o Caminho Verde Brasil alcance escala e resultados efetivos no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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