Publicado em: 18/12/2012 às 20:10hs
De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), 792,8 mil animais foram confinados em 2012, valor aquém do que era esperado em abril, quando a pesquisa apontava que a intenção dos produtores era confinar 929,9 mil. Para a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) esta mudança no planejamento dos pecuaristas é consequência do mercado de grãos – principal insumo da ração – e do mercado futuro de animais.
No início de 2012 a previsão era de que houvesse um aumento de 14% no volume de animais confinados, isso em decorrência das primeiras expectativas sobre o mercado. Porém, conforme explica o superintendente Luciano Vacari, de lá para cá o cenário mudou, houve quebra de safra nos Estados Unidos e o preço dos grãos aumentou. Além disso, o boi na bolsa teve queda no começo deste ano. “Confinar é negócio e por isso é preciso analisar a rentabilidade. Por um período acreditou que seria viável trocar o pasto pela ração, mas depois isso mudou e os custos aumentaram muito. Foi quando os produtores recuaram”. O custo do confinamento por dia passou de R$ 4,32 em 2011 para R$ 5,28, alta de 22%.
Em abril a intenção era confinar 929,9 mil, em julho, no 2º levantamento do ano, este número caiu para 740,4 mil e depois voltou a subir, fechando com 792,8 mil animais confinados. “O que percebemos é que o confinamento foi adiado este ano. Os pecuaristas esperaram o mercado se firmar para então investir na intensificação”, ressalta Vacari.
O gestor do IMEA, Daniel Ferreira, explica que a partir de agosto o pecuarista começou a enxergar o mercado futuro e reviu a estratégia. “Com uma pequena redução dos preços do milho e melhor cotação do boi no mercado da bolsa o produtor decidiu tirar do pasto e confinar o rebanho”.
A evolução da participação dos animais confinados nos abates mato-grossenses foi gradativa, sendo que em julho 9% do total era de confinamento, em agosto passou para 26%, em setembro 35% e em outubro, dos 318 animais abatidos, 36%, ou 180 mil, estavam confinados.
Com relação ao preço da arroba este ano, devido ao menor volume de confinados no período de entressafra, variou positivamente na reta final, ou seja, nos últimos meses. Entre agosto e setembro a novembro o valor amentou 8%, passando de cerca de R$ 81 para R$ 88, em média. Entretanto, mesmo com a alta, a arroba não atingiu o patamar de 2011, quando em novembro o valor chegou a R$ 92.
ALTERNATIVA
Com o mercado instável e o preço das commodities agrícolas em alta, os pecuaristas optaram pelo semi-confinamento. A metodologia consiste em complementar a alimentação sem tirar o animal do pasto durante a seca. Assim, o custo é reduzido e o produtor consegue fechar as contas. Luciano Vacari afirma que o mecanismo é eficaz e oferece menos riscos. “Como os custos são bem menores do que no confinamento, o pecuarista consegue engordar o boi mesmo na estiagem, suplementando a alimentação com ração no cocho”.
O custo do semi-confinamento é cerca de 30% menor do que o sistema exclusivo à base de ração, sendo assim, se um animal confinado custa R$ 5,28 por dia ao pecuarista, o sistema de pasto mais ração sai em média R$ 3,6, economia que faz diferença na hora de fechar as contas.
Fonte: Acrimat - Associação dos Criadores de Mato Grosso
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