Publicado em: 30/03/2026 às 10:40hs
O acirramento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já provoca impactos diretos na cadeia global de produção e exportação de carnes.
Para o estado de Santa Catarina, líder nacional na produção de suínos e segundo maior produtor de aves, os reflexos incluem aumento dos custos logísticos e maior incerteza em mercados estratégicos.
De acordo com Jorge Luiz de Lima, diretor executivo do Sindicarne e da ACAV, os efeitos dos conflitos são imediatos e abrangem toda a cadeia produtiva.
“São impactos globais com consequências locais. A elevação dos custos e as restrições logísticas afetam diretamente a competitividade do setor”, afirma.
Mesmo ocupando pouco mais de 1% do território nacional, Santa Catarina mantém uma das cadeias de proteína animal mais eficientes do mundo.
O setor gera mais de 60 mil empregos diretos e cerca de 480 mil postos de trabalho, envolvendo mais de 19 mil famílias integradas na produção de aves, suínos e ovos.
A estrutura produtiva sustenta um desempenho expressivo no comércio exterior. Em 2025, Santa Catarina exportou:
O agronegócio representa cerca de 70% das exportações do estado e aproximadamente 31% do Produto Interno Bruto (PIB) catarinense, movimentando mais de R$ 10 bilhões na economia.
A intensificação dos conflitos no Golfo Pérsico trouxe impactos relevantes para a logística global. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional, enfrenta restrições que elevam custos e aumentam a imprevisibilidade.
Entre os principais efeitos observados estão:
Além disso, limitações na infraestrutura portuária e problemas energéticos em alguns destinos dificultam o armazenamento de cargas refrigeradas, provocando o chamado “rollover”, quando mercadorias ficam retidas sem embarque.
Os efeitos geopolíticos vão além da logística. A guerra entre Rússia e Ucrânia já demonstrou o impacto sobre insumos essenciais para a produção de proteínas.
A Ucrânia, importante produtora de milho, teve sua produção comprometida, o que elevou em cerca de 50% o preço do grão no período inicial do conflito.
O milho representa até 70% da composição da ração animal, enquanto o custo de produção do frango tem cerca de 80% de sua base vinculada ao campo. Dessa forma, oscilações nesse insumo impactam diretamente o preço final das carnes.
Apesar dos desafios, o cenário também aponta oportunidades para o setor. Atualmente, cerca de dois terços da população mundial estão concentrados no Oriente, com projeção de atingir três quartos até 2040, o que indica crescimento contínuo na demanda por proteína animal.
Santa Catarina, que já exporta para mais de 150 países, possui posição estratégica nesse mercado. Entre os principais destinos estão Japão, China, Filipinas, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.
Diante de um cenário internacional mais instável, a avaliação do setor é de que será necessário reforçar estratégias para mitigar riscos.
Segundo Jorge Luiz de Lima, a cadeia de proteína animal é altamente sensível a variáveis externas, exigindo maior eficiência operacional e diversificação de mercados.
“A cadeia é muito dependente do cenário global. Precisamos avançar em eficiência interna e ampliar mercados para reduzir a exposição a riscos”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
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