Publicidade
Bovinos de Corte

Exportações do Brasil aos EUA caem 9,7% em 2026, mas carne bovina avança 62,2%

Vendas do agronegócio recuam 26,7% entre janeiro e agosto, enquanto sobretaxas pressionam produtos como sebo, madeira e fumo; importações de fertilizantes norte-americanos crescem 24,1%


Publicado em: 28/09/2026 às 18:00hs

Exportações do Brasil aos EUA caem 9,7% em 2026, mas carne bovina avança 62,2%

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A retração representa uma perda de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em vendas e levou o resultado ao menor nível para o período desde 2023.

Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com informações do Comex Stat.

O agronegócio aparece entre os segmentos mais pressionados. As exportações da agropecuária brasileira ao mercado norte-americano recuaram 26,7% no acumulado do ano, enquanto a indústria extrativa caiu 28,9% e a indústria de transformação registrou retração de 4,9%.

O comportamento contrasta com as vendas para os demais mercados, que cresceram 9,5% na agropecuária, 19,6% na indústria extrativa e 6,6% na transformação.

Exportações crescem em agosto, mas volume cai 17,3%

Em agosto, as exportações brasileiras para os Estados Unidos alcançaram US$ 3,2 bilhões, aumento de 12,1% na comparação anual.

A recuperação em valor, porém, não foi acompanhada pelo volume físico. A quantidade embarcada recuou 17,3%, atingindo o menor nível para um mês de agosto desde 2021. O preço médio dos produtos exportados avançou 35,7%, compensando a redução dos embarques.

A base de comparação de agosto de 2025 já havia sido afetada pelas tarifas adicionais de 40% e 50% implementadas pelos Estados Unidos naquele período.

Entre os produtos que contribuíram para a alta mensal estão semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves, carne bovina, café não torrado e celulose.

Carne bovina amplia vendas ao mercado norte-americano

A carne bovina foi um dos principais destaques positivos do comércio bilateral. Em agosto, as exportações brasileiras de carne fresca para os Estados Unidos atingiram US$ 182,2 milhões, crescimento de 385,1% em valor e de 389,8% em quantidade.

Somente os embarques de carne bovina congelada somaram US$ 169 milhões no mês, alta de 393,6% na comparação com agosto de 2025.

Entre janeiro e agosto, as vendas brasileiras de carne bovina fresca chegaram a US$ 1,458 bilhão, avanço de 62,2%. O volume embarcado aumentou 37,2%, enquanto o preço médio subiu 18,2%.

A carne congelada respondeu por US$ 1,295 bilhão desse total, com crescimento de 56,3% em valor e de 32,6% em quantidade.

O desempenho ganha relevância porque as vendas brasileiras da proteína para os demais destinos recuaram 30,1% em agosto, enquanto avançaram com força no mercado norte-americano.

Café perde receita no acumulado do ano

As exportações de café não torrado para os Estados Unidos apresentaram recuperação mensal, mas continuam abaixo do resultado de 2025 no acumulado.

Em agosto, os embarques somaram US$ 136,4 milhões, alta de 23,7% em valor. A quantidade avançou 34,8%, enquanto o preço médio caiu 8,3%.

De janeiro a agosto, entretanto, as vendas totalizaram US$ 991,6 milhões, retração de 29,6%. O volume embarcado diminuiu 28,1%, e o preço médio ficou 2% menor.

Segundo o levantamento, o desempenho foi influenciado pela menor oferta de café após problemas climáticos na safra.

Sobretaxas pressionam produtos do agronegócio

Os bens brasileiros submetidos às tarifas mais elevadas, entre 25% e 37,5%, registraram queda de 29,1% entre janeiro e agosto. As exportações desse grupo recuaram de US$ 5,136 bilhões para US$ 3,641 bilhões.

Entre os produtos do agronegócio mais afetados está o sebo bovino. Os embarques para os Estados Unidos somaram US$ 231,7 milhões no acumulado, queda de 39,4% em valor e de 43,5% em quantidade.

Em agosto, as vendas de sebo atingiram US$ 53,8 milhões, recuo de 26,2%. O volume caiu 38,1%, apesar do aumento de 19,2% no preço médio.

Também houve retração acumulada nas exportações de fumo não manufaturado, com queda de 39,9%; peptonas e derivados, com redução de 17,6%; couros e peles bovinas, com baixa de 16,2%; e sucos de outras frutas, com recuo de 12,3%.

Produtos tarifados recuam mesmo com reação mensal

Considerando todos os produtos sujeitos a sobretaxas, as exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceram 18,5% em agosto, para US$ 1,51 bilhão. Já os bens sem sobretaxas avançaram 7%, alcançando US$ 1,68 bilhão.

No acumulado de janeiro a agosto, porém, os dois grupos apresentaram queda. Os produtos tarifados recuaram 11,4%, para US$ 11,04 bilhões, enquanto os isentos diminuíram 8,3%, para US$ 13,07 bilhões.

Os itens submetidos às alíquotas de 25% e 37,5% registraram o pior desempenho entre os grupos analisados. Em agosto, as vendas desse conjunto caíram 10,5%, totalizando US$ 454,6 milhões.

Indústria brasileira perde espaço nos Estados Unidos

A indústria de transformação continua sendo o principal segmento das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Entre janeiro e agosto, respondeu por 83,3% do total, com receita de US$ 20,1 bilhões.

Apesar da liderança, as vendas industriais recuaram 4,9% e ficaram abaixo do resultado de 2024. Foi a primeira queda registrada pelo setor desde 2020.

Ainda assim, os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos produtos industriais brasileiros, concentrando 15,5% dos embarques. Na sequência aparecem União Europeia, com US$ 17,7 bilhões; China, com US$ 14,5 bilhões; e Mercosul, com US$ 13,7 bilhões.

São Paulo lidera exportações brasileiras aos EUA

São Paulo respondeu por 34% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano nos oito primeiros meses do ano. O Estado movimentou US$ 8,2 bilhões, embora tenha registrado queda de 6,2%.

O Rio de Janeiro ocupou a segunda posição, com US$ 3,9 bilhões e retração de 18,5%. Minas Gerais ficou em terceiro, com US$ 2,5 bilhões, recuo de 21,9%.

O Espírito Santo exportou US$ 2 bilhões, baixa de 1,1%, enquanto o Rio Grande do Sul movimentou US$ 1 bilhão, com queda de 21,3%.

Em Minas Gerais, o café não torrado continuou como principal produto vendido aos Estados Unidos. No Rio Grande do Sul, destacaram-se máquinas de energia elétrica, tabaco e celulose.

Importações dos EUA recuam 8,6%

As importações brasileiras de produtos norte-americanos totalizaram US$ 27,3 bilhões entre janeiro e agosto, queda de 8,6%.

Como a retração das exportações brasileiras foi mais intensa, o déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos aumentou 0,9%, alcançando US$ 3,2 bilhões.

Em agosto, as compras brasileiras avançaram 1,1%, para US$ 4 bilhões, marcando o segundo mês consecutivo de crescimento após sete meses de retração.

Combustíveis, medicamentos, petróleo, aeronaves, máquinas de processamento de dados e enxofre estiveram entre os principais produtos importados.

Brasil aumenta compras de fertilizantes dos EUA

As importações brasileiras de adubos e fertilizantes norte-americanos somaram US$ 546 milhões entre janeiro e agosto, crescimento de 24,1% em relação ao mesmo período de 2025.

A quantidade adquirida aumentou 14,3%, enquanto o preço médio avançou 8,5%.

O movimento contrasta com as compras de fertilizantes provenientes dos demais mercados, que recuaram 1,2% no período. O dado reforça a importância dos Estados Unidos como fornecedor de insumos para a agricultura brasileira, mesmo em um ano de retração do comércio bilateral.

Comércio Brasil-EUA enfrenta cenário mais seletivo

Os Estados Unidos permaneceram como segundo principal destino das exportações brasileiras e segunda maior origem das importações do país.

A diferença, em 2026, está no desempenho. Enquanto as exportações totais do Brasil cresceram 10,3% entre janeiro e agosto, as vendas ao mercado norte-americano caíram 9,7%. No mesmo período, o volume exportado aos EUA recuou 19,3%.

O resultado mostra que a recuperação registrada em agosto ainda não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas. Para o agronegócio, o cenário combina forte avanço da carne bovina, redução das vendas de café e pressão adicional sobre produtos sujeitos às tarifas mais elevadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias