Publicado em: 19/01/2026 às 09:30hs
As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes alcançaram um novo recorde em 2025, com crescimento de 1,91% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 1,79 bilhão. O desempenho representa o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco de 22 nações, conforme dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Os principais compradores da carne bovina brasileira foram Egito e Arábia Saudita, com altas de 24,53% (US$ 375,35 milhões) e 29,9% (US$ 333,10 milhões), respectivamente.
A Argélia também se destacou, consolidando-se como um mercado emergente. Desde 2024, o país vem ampliando suas compras e registrou um avanço de 40,56% nas aquisições em 2025, somando US$ 286,58 milhões em receitas.
De acordo com a entidade, o bom resultado reflete tanto o aumento da oferta brasileira quanto a estratégia dos países árabes de reforçar seus estoques alimentares, em meio a incertezas nas cadeias globais de suprimentos.
Essas ações foram motivadas, em parte, pelos tarifários norte-americanos aplicados a diversos fornecedores, inclusive o Brasil — que responde por metade dos alimentos importados pela região árabe.
“Os árabes intensificaram as aquisições, e o Brasil foi particularmente beneficiado na carne bovina pela maior disponibilidade do produto”, explicou Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira. “Mesmo com ajustes nas compras de outros alimentos, o saldo foi positivo, com o segundo melhor desempenho histórico de exportações e superávit comercial”, completou.
Apesar do avanço da carne bovina, o total das exportações brasileiras para os países árabes caiu 9,81% em 2025, atingindo US$ 21,34 bilhões.
O resultado é explicado pela queda nos preços internacionais das commodities e pelo impacto da gripe aviária no Rio Grande do Sul, que afetou o embarque de frango no primeiro trimestre.
Os principais produtos exportados foram:
Entre os principais parceiros comerciais estiveram Emirados Árabes Unidos (US$ 3,78 bi, -16,90%), Egito (US$ 3,73 bi, -6,20%), Arábia Saudita (US$ 3,13 bi, -0,10%), Argélia (US$ 2,33 bi, -9,20%) e Iraque (US$ 1,49 bi, -21,3%).
O agronegócio brasileiro segue como principal força nas vendas para o bloco árabe, representando 72,5% do total exportado. Mesmo com uma retração de 11,19%, o setor somou US$ 15,91 bilhões em 2025.
Os maiores compradores foram Egito (US$ 2,93 bi), Arábia Saudita (US$ 2,73 bi), Emirados Árabes Unidos (US$ 2,44 bi), Argélia (US$ 2,00 bi) e Iraque (US$ 1,35 bi).
As vendas de gado vivo para abate cresceram 18,10%, somando US$ 695,09 milhões, enquanto as exportações de milho para alimentação animal avançaram 24,93%, totalizando US$ 3,07 bilhões.
Mesmo com políticas de incentivo à produção local nos países árabes, a proteína brasileira manteve forte presença na região.
A Arábia Saudita, que tem investido para reduzir a dependência externa, foi o maior comprador de frango brasileiro em 2025, com alta de 15,14%, chegando a US$ 942,39 milhões.
Já os Emirados Árabes Unidos registraram desempenho estável, com compras de US$ 937,43 milhões, ligeira queda de 0,97%, mas com crescimento nos volumes embarcados.
Segundo Mourad, o comércio entre o Brasil e os países árabes mostrou resiliência e sinais de recuperação no fim de 2025, com alta de 8,2% nas vendas no último trimestre em relação ao mesmo período de 2024.
A expectativa é de crescimento em 2026, impulsionado pela formação de estoques para o Ramadã, que começa em 17 de fevereiro, e pela normalização das cadeias comerciais após o impacto das tarifas internacionais.
“O desempenho no final de 2025 já mostra um reaquecimento do comércio. Acreditamos em um 2026 ainda mais favorável para os exportadores brasileiros”, concluiu Mourad.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias