Publicado em: 04/05/2026 às 15:00hs
As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram forte expansão na última década, mas um novo levantamento acende alerta sobre riscos ambientais associados à cadeia produtiva.
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, os embarques para o mercado norte-americano cresceram de 33.210 toneladas em 2016 para 271.826 toneladas em 2025, evidenciando a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico.
No entanto, um estudo do Radar Verde aponta que frigoríficos habilitados na Amazônia Legal permanecem expostos a áreas com alto risco de desmatamento em suas cadeias de fornecimento.
A análise avaliou sete empresas responsáveis por 15 frigoríficos habilitados a exportar carne para os Estados Unidos, com capacidade média de abate de 11.270 cabeças por dia.
De acordo com o estudo, essas unidades estão expostas a áreas de risco que variam entre 144 mil hectares e 2,8 milhões de hectares, considerando regiões com:
As regiões com maior concentração de risco estão localizadas principalmente em Mato Grosso e Rondônia, dentro da Amazônia Legal.
O estudo destaca que, apesar de 93% das plantas frigoríficas possuírem Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com o Ministério Público Federal, não há evidências consistentes de implementação efetiva ou monitoramento contínuo das políticas ambientais.
Outro ponto crítico é a rastreabilidade da cadeia produtiva:
Essa lacuna compromete a rastreabilidade completa do gado e dificulta a verificação de origem livre de desmatamento.
O estudo também avalia o cenário regulatório à luz da proposta conhecida como Forest Act 2023, ainda em tramitação no Congresso norte-americano.
A proposta exige que importadores de commodities como carne bovina, soja e cacau comprovem que os produtos não estão associados ao desmatamento ilegal, por meio de sistemas de due diligence e rastreabilidade completa.
Segundo o Radar Verde, caso a legislação estivesse em vigor atualmente, as exportações brasileiras de carne não estariam plenamente em conformidade com os requisitos propostos.
O crescimento das exportações brasileiras para os EUA também está relacionado à necessidade de estabilização da oferta de alimentos no mercado norte-americano, em um cenário de inflação e eventos climáticos extremos que afetam a produção global.
O estudo destaca ainda que a pecuária responde por 71% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, considerando emissões diretas e mudanças no uso da terra, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
Entre as principais recomendações do estudo estão:
O Radar Verde também alerta que lacunas regulatórias podem incentivar o avanço do desmatamento caso não haja maior rigor nas exigências de mercado internacional.
O levantamento evidencia que, embora o Brasil amplie sua participação no mercado global de carne bovina, o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à rastreabilidade, conformidade ambiental e exigências regulatórias internacionais.
O avanço das exportações dependerá cada vez mais da capacidade de comprovar sustentabilidade e origem livre de desmatamento em toda a cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias