Publicado em: 29/06/2026 às 11:25hs
A exclusão do Brasil de listas de países habilitados a exportar determinados produtos de origem animal para a União Europeia acendeu um alerta no setor sobre falhas na condução regulatória e na estratégia de adequação às novas exigências internacionais.
A avaliação é de que a resposta brasileira às regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal não deveria se limitar a dois extremos — proibição ampla dessas substâncias ou a aceitação de uma possível interrupção prolongada das exportações de carne bovina para mercados estratégicos.
Segundo análise da estrategista do agro global, Maria Eduarda Blaiklock, há espaço para uma abordagem gradual, baseada em mecanismos de rastreabilidade, segregação de produção, certificação e controle oficial mais robusto.
A proposta prevê a manutenção de fluxos de exportação mais estruturados — como animais identificados, propriedades habilitadas e lotes com histórico sanitário comprovado — enquanto o sistema de monitoramento é ampliado de forma progressiva.
Especialistas apontam que uma eventual proibição generalizada do uso de antimicrobianos sem estrutura de transição adequada pode transferir ao produtor e à indústria os custos da falta de mecanismos de comprovação de conformidade.
Por outro lado, a saída ou restrição do Brasil do mercado europeu representaria não apenas perdas comerciais, mas também impacto reputacional em um dos mercados mais exigentes e relevantes para a carne bovina brasileira.
A estratégia defendida envolve a criação de camadas de garantia sanitária, com integração entre bases de dados públicas e privadas, além de maior capacidade de auditoria e certificação.
A ideia é permitir uma retomada progressiva do acesso a mercados internacionais conforme o nível de controle e transparência do sistema brasileiro evolua.
Nesse contexto, a carne bovina passa a ser vista como um teste da capacidade do Brasil de transformar informação em credibilidade regulatória no comércio global.
Em artigo publicado no LinkedIn, Blaiklock reforça que o país precisa abandonar uma postura reativa e construir uma estratégia mais estruturada de inserção internacional.
“O Brasil não precisa escolher entre se curvar à Europa ou ignorar a Europa. Precisa escolher entre continuar reagindo tarde ou finalmente construir uma inteligência regulatória compatível com o tamanho do seu agronegócio. Porque, no comércio internacional de alimentos, o futuro não será decidido apenas por quem produz mais. Será decidido por quem consegue provar melhor”, afirmou.
Fonte: Portal do Agronegócio
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