Eficiência na pecuária pode elevar produção de carnes da China em mais de 80%, aponta estudo
Ganhos de produtividade poderiam ampliar significativamente a oferta de carne bovina, suína e de aves sem expansão dos rebanhos, fortalecendo a segurança alimentar e impactando o mercado global de proteínas
Publicado em: 09/07/2026 às 10:20hs
A China poderá ampliar de forma significativa sua produção de carnes sem aumentar o tamanho dos rebanhos ou investir na expansão da atividade pecuária. A conclusão é de um estudo elaborado pela consultoria Athenagro, que aponta a eficiência produtiva como o principal caminho para elevar a oferta de proteínas animais no país.
Segundo o levantamento, caso a pecuária chinesa alcance níveis de produtividade semelhantes aos observados em países considerados referência mundial, a produção conjunta de carne bovina, suína e de aves poderá saltar de 84,4 milhões para 153,8 milhões de toneladas, um crescimento superior a 82%, utilizando a mesma estrutura produtiva existente.
Ganhos viriam da eficiência, e não da expansão dos rebanhos
O estudo, elaborado pelo sócio-diretor da Athenagro, Maurício Palma Nogueira, comparou a produção projetada para 2026 com o potencial produtivo obtido a partir de indicadores de eficiência adotados em mercados internacionais.
A análise desconsidera qualquer ampliação dos rebanhos, abertura de novas áreas ou aquisição de bens de produção. O aumento da oferta seria resultado exclusivamente da melhoria dos índices zootécnicos, do manejo, da genética, da nutrição e da eficiência dos sistemas produtivos.
Segundo a consultoria, o aproveitamento mais eficiente da estrutura já instalada permitiria uma transformação expressiva na disponibilidade de proteína animal para a população chinesa.
Produção de carne bovina teria avanço superior a 4 milhões de toneladas
Na bovinocultura, a projeção para 2026 indica produção de 7,6 milhões de toneladas. Com níveis mais elevados de produtividade, esse volume poderia atingir 11,857 milhões de toneladas, representando um incremento de 4,257 milhões de toneladas.
O resultado reforça o potencial da eficiência produtiva para ampliar a oferta de carne bovina sem necessidade de expansão dos rebanhos, fator cada vez mais relevante diante das restrições ambientais e da busca por maior sustentabilidade na produção animal.
Carne suína continuaria liderando a produção chinesa
A carne suína, principal proteína consumida no país, também apresenta elevado potencial de crescimento.
De acordo com o estudo, a produção poderia passar de 59,5 milhões para 87,975 milhões de toneladas, acréscimo de 28,475 milhões de toneladas.
O desempenho reforça a importância da suinocultura para a segurança alimentar chinesa e evidencia que ganhos de eficiência podem representar um dos principais vetores de expansão da produção nos próximos anos.
Carne de aves concentra o maior potencial de crescimento
O maior salto produtivo identificado pela Athenagro está na avicultura.
A produção de carne de aves, estimada em 17,3 milhões de toneladas, poderia alcançar 53,375 milhões de toneladas, um crescimento de 36,075 milhões de toneladas.
O resultado demonstra que a avicultura reúne o maior potencial de aumento da oferta entre as principais proteínas animais, impulsionada pela elevada eficiência dos sistemas produtivos e pela rapidez dos ciclos de produção.
Consumo per capita também poderia crescer
Com a expansão da produção, a disponibilidade interna de proteínas animais aumentaria de forma expressiva.
Segundo as estimativas da consultoria, o consumo médio anual das três principais carnes passaria de 62,3 quilos para aproximadamente 109 quilos por habitante, fortalecendo a segurança alimentar e ampliando o acesso da população às proteínas de origem animal.
Mercado global pode ser impactado pela maior eficiência chinesa
Embora o estudo tenha caráter técnico e considere um cenário potencial, os números demonstram como ganhos de produtividade podem alterar significativamente a dinâmica do mercado global de proteínas.
Uma eventual ampliação da produção doméstica chinesa reduziria a necessidade de importações em alguns segmentos, podendo influenciar o comércio internacional de carnes, inclusive os embarques de grandes exportadores como Brasil, Estados Unidos e Austrália.
Ao mesmo tempo, o levantamento reforça uma tendência crescente no agronegócio mundial: aumentar a produção por meio da inovação tecnológica, da genética, da nutrição e da gestão eficiente dos sistemas produtivos, sem depender da expansão das áreas de produção ou do tamanho dos rebanhos.
As projeções foram divulgadas por Maurício Palma Nogueira em publicação na rede social LinkedIn e integram um relatório interno elaborado pela consultoria Athenagro para seus clientes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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