Cruzamento com Senepol pode elevar receita na desmama em R$ 500 por bezerro, aponta associação
Simulação da ABCB Senepol considera 30 quilos adicionais por animal e destaca seleção de touros registrados para a estação de monta no Brasil Central
Publicado em: 15/10/2026 às 16:30hs
O uso de touros Senepol registrados no cruzamento com matrizes zebuínas pode ampliar a receita bruta na venda de bezerros à desmama, segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). Em uma simulação apresentada pela entidade, o peso adicional dos animais cruzados representa aproximadamente R$ 500 a mais por cabeça, incremento próximo de 15%.
Com a estação de monta em andamento no Brasil Central, a associação destaca a importância de avaliar a procedência, a funcionalidade e os indicadores genéticos dos reprodutores. O objetivo é selecionar animais compatíveis com o sistema de produção e com as características que o pecuarista pretende melhorar no rebanho.
Peso adicional na desmama sustenta projeção de receita
O cálculo da ABCB Senepol compara um bezerro zebuíno de 200 quilos com um meio-sangue Senepol de 230 quilos à desmama.
Considerando o valor de R$ 17 por quilo, adotado na simulação, a receita bruta passa de R$ 3.400 para R$ 3.910 por animal. A diferença é de R$ 510 por cabeça, equivalente a um aumento de 15%.
A projeção representa receita adicional, e não lucro líquido. O resultado efetivo depende do desempenho dos bezerros, do preço de comercialização e dos custos envolvidos na produção, incluindo aquisição e manutenção dos reprodutores.
Seleção do touro influencia as próximas gerações
A escolha do reprodutor tem efeitos que se estendem por diferentes safras de bezerros. Por isso, a associação recomenda que a compra considere informações de origem e desempenho, além da avaliação visual.
Segundo Maurício Borges, superintendente técnico da ABCB Senepol, animais selecionados apenas pela aparência, sem dados confiáveis sobre sua procedência, podem trazer resultados abaixo dos objetivos da propriedade.
O registro genealógico e a inspeção técnica auxiliam nessa avaliação. Conforme a entidade, a análise observa o padrão racial e características funcionais, com atenção ao umbigo e aos aprumos.
Esses critérios ajudam o produtor a avaliar a adequação do animal ao trabalho a campo, mas devem ser considerados em conjunto com os demais fatores de manejo e reprodução.
Adaptação ao calor favorece monta natural
A ABCB Senepol aponta a adaptação às condições tropicais, a libido e a capacidade de deslocamento como características relevantes da raça para sistemas de monta natural.
Segundo a associação, um touro Senepol adequadamente manejado pode atender mais de 40 vacas durante a estação de monta. Essa capacidade, entretanto, depende das condições do reprodutor e do sistema em que ele será utilizado.
A seleção também pode incorporar informações dos Programas de Melhoramento Genético do Senepol (PMGS), permitindo direcionar a escolha para características de interesse econômico.
Entre os recursos citados pela entidade estão os marcadores associados ao Slick Hair, relacionado à pelagem curta e à adaptação ao calor, e a avaliação de variantes do gene da miostatina consideradas indesejáveis nos critérios de seleção.
Novilhas cruzadas ampliam possibilidades reprodutivas
Além do peso dos bezerros, a associação destaca o potencial das fêmeas meio-sangue Senepol para reposição e uso em programas reprodutivos.
De acordo com a entidade, essas novilhas podem atingir a puberdade por volta dos 15 meses, conforme o desenvolvimento e a condição corporal. Também são apontadas como opções para programas de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e como receptoras de embriões.
A precocidade sexual e a habilidade materna estão entre as características que a ABCB Senepol recomenda observar na seleção das futuras matrizes.
Ganhos podem se estender à recria e à terminação
Nos sistemas de ciclo completo, a entidade relata potencial para animais cruzados superarem 18 arrobas aos 24 meses, com rendimento médio de carcaça de 54%.
A associação também cita resultados de cruzamentos com matrizes F1, em sistemas de tricross, nos quais novilhos alcançam 20 a 21 arrobas aos 16 meses. Esses desempenhos devem ser interpretados conforme a genética utilizada, a alimentação e as condições de manejo, sem representar um resultado uniforme para todas as propriedades.
Segundo Leonardo Lima Keller Gonçalves, presidente da ABCB Senepol, características como docilidade, fertilidade e precocidade compõem o potencial da raça nos cruzamentos.
A entidade acrescenta que acabamento de carcaça, maciez e seleção para marmoreio podem favorecer o atendimento a mercados que remuneram atributos de qualidade. A obtenção de ágio depende das exigências e dos critérios comerciais de cada comprador.
Planejamento da estação de monta define aproveitamento da genética
Para a ABCB Senepol, as perspectivas de valorização do bezerro em 2027 reforçam a importância econômica do peso adicional à desmama. A entidade associa essa expectativa à retenção de fêmeas e à redução das escalas de abate, sem apresentar garantia de comportamento futuro dos preços.
Na propriedade, o aproveitamento da genética depende da combinação entre seleção do reprodutor, manejo nutricional, condições sanitárias e planejamento reprodutivo. A escolha de touros com informações verificáveis permite alinhar o investimento às metas de produção e comercialização do rebanho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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