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Cota do Uruguai pode ampliar exportações de carne bovina do Brasil à China em outubro

Analista estima que cerca de 200 mil toneladas estariam disponíveis, mas operação anunciada pelo governo brasileiro ainda depende da aprovação das autoridades chinesas.


Publicado em: 23/09/2026 às 11:35hs

Cota do Uruguai pode ampliar exportações de carne bovina do Brasil à China em outubro

O uso de parte da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China poderá beneficiar os frigoríficos brasileiros a partir de outubro. A avaliação é do analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, após o governo brasileiro anunciar que o Uruguai autorizou o aproveitamento do volume não utilizado pelo país vizinho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que tratou do assunto durante reunião bilateral com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York, no contexto da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em publicação na rede social X, Lula agradeceu a autorização para que o Brasil utilize o excedente da cota uruguaia. O anúncio ocorre depois de os frigoríficos brasileiros completarem a cota nacional de exportações de carne bovina destinada ao mercado chinês em 2026.

Autorização final depende da China

Embora o entendimento entre Brasil e Uruguai represente um avanço nas negociações, a transferência não é automática. Segundo Fernando Henrique Iglesias, a decisão final cabe às autoridades chinesas, responsáveis pela gestão das cotas de importação.

“A gestão da cota é 100% de responsabilidade das autoridades chinesas. Vale o histórico de que o Brasil já tentou flexibilização anteriormente e a resposta foi negativa”, afirmou o analista.

Na prática, o aval uruguaio precisa ser reconhecido pelo governo chinês para que os frigoríficos brasileiros possam utilizar o saldo disponível. Sem essa autorização, a operação não poderá avançar nas condições anunciadas.

Cota uruguaia teria cerca de 200 mil toneladas disponíveis

O Uruguai vem utilizando apenas parte de sua cota de exportação de carne bovina para a China. De acordo com a estimativa apresentada pelo analista da Safras & Mercado, aproximadamente 200 mil toneladas poderiam estar disponíveis.

O acesso a esse volume teria impacto relevante para o Brasil, principalmente a partir de outubro, ao permitir a continuidade dos embarques em um período de limitação da cota brasileira.

A medida também poderia reduzir a interrupção entre o esgotamento do volume autorizado para 2026 e o início dos embarques vinculados à cota de 2027.

Prazo de transporte favorece retomada antecipada dos embarques

As cargas brasileiras de carne bovina levam, em média, de 45 a 60 dias para chegar aos portos chineses. Por esse motivo, embarques realizados entre novembro e dezembro já podem ser contabilizados dentro da programação comercial de 2027, dependendo das regras aplicadas pela China.

Segundo Iglesias, caso o Brasil tenha acesso ao saldo uruguaio, a utilização poderia começar em outubro. Isso permitiria aos frigoríficos ampliar os embarques antes da retomada regular das exportações vinculadas à cota brasileira do próximo ano.

A abertura desse espaço seria positiva para a indústria frigorífica e para o mercado pecuário, já que a China permanece como principal destino internacional da carne bovina brasileira.

Volume e regras da cessão ainda não foram detalhados

Apesar do anúncio, ainda não estão claras as condições para a utilização da cota uruguaia. Não foi informado oficialmente qual volume será transferido, por quanto tempo o mecanismo permanecerá válido ou se a cessão terá caráter provisório ou definitivo.

Também faltam detalhes sobre os procedimentos operacionais, a distribuição do volume entre os frigoríficos e os critérios que poderão ser exigidos pelas autoridades chinesas.

Assim, a possibilidade de utilização da cota representa uma oportunidade importante para manter o fluxo de exportações brasileiras de carne bovina à China, mas sua efetivação depende da definição das regras e, principalmente, da aprovação final de Pequim.

Fonte: Portal do Agronegócio

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