Publicado em: 26/06/2026 às 10:35hs
Em um ambiente de custos elevados e rentabilidade cada vez mais desafiadora, a eficiência operacional tornou-se um dos principais pilares para a sustentabilidade econômica dos confinamentos bovinos no Brasil. O tema foi destaque durante a Feicorte 2026, realizada em Presidente Prudente (SP), onde especialistas reforçaram a necessidade de profissionalização da atividade para garantir resultados consistentes.
Durante a palestra “Pecuária inteligente: da eficiência do manejo ao resultado”, o diretor da Cost@ Agro Confinamento e Boitel, Fernando Nemi Costa, ressaltou que o confinamento deve ser tratado como uma atividade empresarial de alta complexidade, que exige monitoramento constante, planejamento e controle rigoroso dos processos produtivos.
Segundo o especialista, os desafios atuais da pecuária de corte exigem uma gestão muito mais eficiente do que a observada em décadas anteriores.
De acordo com Costa, a redução gradual das margens de lucro ao longo dos anos transformou a eficiência em um requisito essencial para a permanência dos produtores na atividade.
O especialista destacou que o confinamento é um sistema de ciclo curto e elevado risco operacional, no qual falhas de manejo, nutrição ou gestão podem comprometer significativamente os resultados financeiros.
Nesse contexto, fatores como qualidade dos insumos, infraestrutura adequada, armazenamento correto de alimentos, capacitação da equipe e padronização dos processos tornam-se determinantes para a rentabilidade da operação.
“Hoje, a eficiência não é mais um diferencial competitivo, mas uma condição necessária para a sobrevivência do negócio”, enfatizou durante o evento.
Um dos principais pontos abordados foi a importância da adaptação dos bovinos ao sistema de confinamento. Segundo Costa, muitos animais chegam às propriedades após passarem toda a vida em sistemas de pastejo, tornando indispensável uma transição adequada para a dieta intensiva.
A estratégia adotada pela empresa envolve o fornecimento simultâneo de feno e dieta de adaptação nos primeiros dias após a entrada dos animais no confinamento. O método tem contribuído para reduzir problemas de consumo alimentar e melhorar o desempenho dos lotes.
O especialista alertou que falhas nesse período inicial podem gerar impactos negativos ao longo de todo o ciclo produtivo, comprometendo o ganho de peso e a eficiência alimentar.
Outro aspecto considerado fundamental é o acompanhamento constante da saúde ruminal dos animais.
Segundo o palestrante, indicadores simples, como observação das fezes, consumo diário de alimento, disponibilidade de água e sobras nos cochos, fornecem informações valiosas sobre o funcionamento do sistema nutricional.
Alterações nesses parâmetros podem sinalizar problemas que afetam diretamente o desempenho produtivo e a conversão alimentar dos bovinos.
A recomendação é que os produtores adotem uma rotina diária de monitoramento para identificar rapidamente possíveis desvios e corrigir falhas antes que elas impactem os resultados econômicos.
Durante a apresentação, Costa também destacou os impactos das restrições alimentares involuntárias sobre o desempenho dos animais. Mesmo pequenas reduções no consumo podem resultar em perdas significativas de ganho de peso e rentabilidade ao longo do confinamento.
As condições ambientais também merecem atenção especial. Estudos apresentados indicam que o excesso de lama nos currais, situação comum durante períodos de chuva intensa, reduz o ganho médio diário dos bovinos.
Além de dificultar a locomoção, o barro aumenta o gasto energético dos animais, reduz o tempo de descanso e prejudica a ruminação, fatores que comprometem diretamente a eficiência produtiva.
Para o especialista, a busca por melhores resultados passa pela gestão integrada de todos os elementos que compõem o sistema de produção.
A discussão ocorreu durante a Feicorte 2026, um dos principais eventos da pecuária de corte do país, que reúne produtores, técnicos, pesquisadores, empresas e lideranças do setor entre os dias 23 e 26 de junho, em Presidente Prudente (SP).
A feira tem como foco a disseminação de tecnologias, estratégias de gestão, inovação e tendências de mercado voltadas ao fortalecimento da competitividade da cadeia produtiva da carne bovina.
A principal mensagem apresentada durante o encontro foi clara: em um cenário de custos elevados e margens mais estreitas, a rentabilidade dos confinamentos está cada vez mais ligada à capacidade de controlar processos, reduzir desperdícios e executar com excelência cada etapa do manejo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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