Publicado em: 05/01/2026 às 10:20hs
O início de 2026 promete ser desafiador para a cadeia global da carne bovina, especialmente para grandes exportadores como Brasil, Estados Unidos e Austrália. O governo chinês concluiu recentemente uma investigação sobre os impactos das importações na indústria local e decidiu adotar medidas de salvaguardas comerciais para proteger seus produtores. As novas regras entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terão validade até 2028.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a criação de quotas de importação deve alterar de forma significativa o equilíbrio mundial do setor. “Ao impor limites às compras externas sob o argumento de prejuízo à indústria doméstica, a China pode provocar uma sobra de oferta global e, consequentemente, uma queda expressiva nos preços da carne bovina”, explica.
Entre os países afetados, o Brasil continua sendo o principal fornecedor de carne bovina para a China, mas com restrições mais severas. As novas quotas de importação definem um limite de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil em 2026 — dentro de um total de 2,7 milhões de toneladas autorizadas pelo governo chinês.
Apesar de manter a maior fatia, a decisão preocupa o setor. Isso porque o Brasil depende fortemente do mercado chinês, que absorve a maior parte das exportações do país. “Será necessário buscar compensações em outros destinos, como Estados Unidos, União Europeia e Japão, para evitar impactos mais profundos”, destaca Iglesias.
A Safras & Mercado projeta que o Brasil exportará 4,577 milhões de toneladas de carne bovina em equivalente carcaça em 2026, o que representa uma queda de 8,62% em relação ao volume estimado para 2025, de 5,009 milhões de toneladas.
O cenário internacional incerto e a inversão do ciclo pecuário devem resultar em menor volume de abates no Brasil em 2026. De acordo com as projeções da Safras & Mercado, o total deve alcançar 39,912 milhões de cabeças, o que representa uma redução de 2,76% em relação ao recorde esperado para 2025, de 41,044 milhões de cabeças.
A participação de fêmeas nos abates deve recuar, representando cerca de 43% do total, ou 17,15 milhões de cabeças. A produção nacional de carne bovina também deve diminuir, alcançando 10,984 milhões de toneladas em equivalente carcaça, 3,58% abaixo do recorde histórico previsto para 2025.
A possibilidade de queda nos preços ao consumidor brasileiro em 2026 depende diretamente do ritmo das exportações para a China. Com a redução nas compras do país asiático, o mercado interno pode ser favorecido por uma maior oferta de carne e preços mais acessíveis.
Entretanto, o analista Fernando Iglesias alerta que o consumo interno ainda enfrentará barreiras. “Mesmo com cortes mais baratos, o poder de compra do consumidor segue comprometido por fatores macroeconômicos, como endividamento elevado, juros altos e crédito restrito”, afirma.
A oferta doméstica de carne bovina deve atingir 6,453 milhões de toneladas em 2026, um leve aumento de 0,51% em relação a 2025, quando devem ser disponibilizadas 6,420 milhões de toneladas ao mercado interno.
A expectativa de uma safra robusta de milho e soja no ciclo 2025/26 traz boas perspectivas para a atividade de confinamento no Brasil. A Safras & Mercado estima que os custos de produção permanecerão atrativos, favorecendo o aumento do número de animais confinados.
“Esperamos que o confinamento em 2026 supere o recorde estimado para 2025, que é de 8,371 milhões de cabeças, podendo alcançar 9 milhões de cabeças”, projeta Iglesias.
A estimativa é sustentada por uma colheita recorde de soja, acima de 178 milhões de toneladas, e uma produção de milho superior a 143 milhões de toneladas. Esses resultados devem manter os custos sob controle e fortalecer a rentabilidade dos pecuaristas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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