Carne bovina de Mato Grosso mira mercado do Peru e nova rota para a Ásia pelo Pacífico
Participação na Expoalimentaria busca abrir espaço para cortes de maior valor agregado, enquanto o Porto de Chancay surge como alternativa logística para exportações brasileiras
Publicado em: 28/09/2026 às 11:50hs
A carne bovina de Mato Grosso busca ampliar sua presença no Peru e acompanha uma transformação logística que poderá aproximar a produção estadual dos mercados asiáticos. As duas oportunidades estiveram no centro da participação mato-grossense na Expoalimentaria, realizada entre 23 e 25 de setembro, em Lima.
Durante os três dias de feira, compradores e profissionais da indústria alimentícia conheceram diferentes cortes da carne produzida no Estado. As degustações incluíram ancho, fraldinha, maminha e contrafilé, preparados pelo chef Carlos Miranda.
A estratégia foi apresentar possibilidades de uso da proteína brasileira e estabelecer contatos comerciais em um mercado que ainda registra baixo consumo de carne bovina, mas oferece espaço para produtos diferenciados.
Peru abre oportunidades para cortes de maior valor agregado
Com uma população de 34,1 milhões de habitantes, o Peru apresenta consumo médio próximo de 6 quilos de carne bovina por pessoa ao ano. Em Lima, principal centro consumidor do país, a média chega a 8,31 quilos por habitante.
O consumo relativamente baixo indica potencial de crescimento, especialmente em segmentos que valorizam qualidade, diferenciação e variedade de cortes.
Restaurantes, hotéis e consumidores de maior renda estão entre os públicos considerados mais promissores. Para frigoríficos de pequeno e médio porte de Mato Grosso, o mercado peruano pode funcionar como destino complementar, permitindo a construção de novas relações comerciais sem depender exclusivamente de grandes volumes.
Expoalimentaria aproxima empresas e compradores
Considerada uma das principais plataformas de negócios da indústria de alimentos na América Latina, a Expoalimentaria reúne empresas, importadores, distribuidores e profissionais de diferentes segmentos.
Na edição de 2025, a feira recebeu mais de 31 mil visitantes e gerou expectativas de negócios estimadas em US$ 905 milhões.
A participação mato-grossense em 2026 buscou ampliar a visibilidade da carne bovina do Estado e aproximar os frigoríficos de potenciais compradores internacionais.
Segundo o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o Peru oferece oportunidades para empresas interessadas em atender nichos específicos.
“O Peru é um mercado que pode oferecer oportunidades para frigoríficos que buscam atender nichos específicos, especialmente restaurantes e consumidores que valorizam cortes diferenciados”, afirma.
Porto de Chancay amplia interesse por nova rota para a Ásia
Além das oportunidades no mercado consumidor peruano, a localização do país ganhou importância para o agronegócio brasileiro.
O Peru investe em infraestrutura para se consolidar como ligação entre a América do Sul e a Ásia. Esse movimento ganhou força com a entrada em operação do Porto de Chancay, instalado na costa do Pacífico.
A nova estrutura abre uma discussão que vai além das exportações destinadas ao próprio Peru. No médio e longo prazo, corredores terrestres conectados aos portos peruanos poderão representar uma alternativa de escoamento para produtos brasileiros enviados aos países asiáticos.
Para Mato Grosso, que concentra grande produção de carne bovina, grãos e outros produtos agropecuários, uma saída pelo Pacífico poderá reduzir distâncias marítimas até a Ásia. A viabilidade da rota, porém, dependerá da infraestrutura terrestre, dos custos de transporte e da integração aduaneira entre os países.
Logística pode ampliar competitividade do agro de Mato Grosso
O desenvolvimento de corredores entre o Centro-Oeste brasileiro e a costa peruana poderá criar novas opções para exportadores e diminuir a dependência das rotas tradicionais pelo Atlântico.
Na avaliação de Andrade, o setor precisa acompanhar a expansão da infraestrutura portuária do Peru e avaliar seus possíveis efeitos sobre o comércio exterior brasileiro.
“Precisamos acompanhar essa transformação logística que está ocorrendo no país, com uma estrutura portuária voltada para aproximar a América do Sul dos mercados asiáticos”, destaca.
Para a indústria frigorífica de Mato Grosso, o movimento combina duas frentes estratégicas: conquistar espaço no mercado peruano para cortes de maior valor agregado e avaliar o Pacífico como possível caminho para ampliar o acesso da carne brasileira à Ásia.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias