Publicado em: 26/01/2026 às 10:40hs
O Brasil encerrou 2025 com o melhor desempenho histórico nas exportações de carne bovina, consolidando o produto como um dos principais ativos estratégicos da economia nacional.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), o país embarcou 3,853 milhões de toneladas, avanço de 20,7% em relação a 2024.
A receita total cresceu quase 40%, atingindo US$ 18,365 bilhões, somando carnes in natura, industrializadas, miudezas e subprodutos da cadeia produtiva.
Para a ABRAFRIGO, o resultado de 2025 representa mais do que um recorde pontual: marca a consolidação da carne bovina como um produto de alto valor agregado.
O setor passou a atender mercados mais exigentes, combinando qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade em um cenário de transformação global no comércio agropecuário.
Com esse desempenho, a carne bovina se tornou o segundo produto mais importante da pauta agropecuária brasileira e o quarto na pauta geral de exportações, atrás apenas de petróleo, soja e minério de ferro.
O salto nas exportações em 2025 refletiu uma combinação rara de aumento de volume e valorização dos preços médios.
A carne bovina in natura, responsável por 90% dos embarques, somou US$ 16,59 bilhões, um crescimento de 42,3% sobre 2024, com 3,083 milhões de toneladas exportadas (+21,1%).
Ao longo do ano, o Brasil registrou recordes sucessivos de exportação mensal, reforçando a competitividade da carne nacional mesmo em meio a desafios geopolíticos e econômicos globais.
No total, o país vendeu carne bovina para 177 destinos, evidenciando uma estratégia de diversificação comercial, embora ainda haja forte dependência do mercado chinês.
A China manteve-se como o maior comprador da carne bovina brasileira em 2025, representando 48,2% das exportações totais.
As vendas ao país asiático somaram US$ 8,845 bilhões, aumento de 47,7% em relação a 2024.
No segmento de carne in natura, a China respondeu por 53,3% das receitas e 53,5% do volume embarcado.
Apesar da forte concentração, o Brasil também ampliou negócios com outros mercados estratégicos, como Estados Unidos, União Europeia, Chile, México, Rússia, Filipinas, Egito, Hong Kong e Arábia Saudita.
Os Estados Unidos foram o segundo principal destino, com 11,2% de participação nas exportações totais, somando US$ 2,064 bilhões — alta de 25,9% frente a 2024.
Mesmo com as tarifas adicionais impostas entre agosto e outubro de 2025, o país manteve ritmo forte de compras.
A expectativa para 2026 é de crescimento contínuo das exportações para os EUA, impulsionado pelo déficit interno de produção e preços elevados da carne bovina norte-americana.
Na União Europeia, o desempenho também foi expressivo. As exportações cresceram 76,5% em valor, totalizando US$ 1,049 bilhão, e 57% em volume, alcançando 128 mil toneladas.
Somente as vendas de carne in natura para o bloco europeu avançaram 89%, atingindo US$ 906,9 milhões, com valor médio de US$ 8.439 por tonelada.
O acordo comercial Mercosul-União Europeia abre novas oportunidades, embora as regras de salvaguarda impostas pela UE possam limitar parte dos ganhos para o setor brasileiro.
Após dois anos de crescimento acelerado, a ABRAFRIGO avalia que 2026 deve marcar uma fase de consolidação para o setor de carne bovina.
O foco estará na abertura e expansão em mercados de alta complexidade técnica, como Japão e Coreia do Sul, além do fortalecimento das exportações ao Vietnã, que foi aberto em 2025, mas ainda não habilitou a maioria dos frigoríficos brasileiros.
Segundo a entidade, a diversificação de destinos será essencial para manter o protagonismo global do Brasil, especialmente diante de um cenário internacional mais desafiador.
Entre os riscos estão as tensões geopolíticas, novas guerras tarifárias e limites de importação impostos pela China, que restringem as compras livres de tarifa extraquota de 55% a 1,1 milhão de toneladas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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