Publicado em: 24/06/2026 às 12:00hs
O mercado do boi gordo em São Paulo segue apresentando viés de pressão nesta semana, com movimentações distintas entre as categorias de animais e postura mais cautelosa dos frigoríficos na formação das escalas de abate.
De acordo com o informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, após recuos registrados no início da semana, o mercado iniciou o período mais recente com estabilidade para o boi gordo comum e para o chamado “boi China”. No entanto, as fêmeas voltaram a registrar queda nas cotações.
A vaca teve desvalorização de R$ 2,00 por arroba, enquanto a novilha recuou R$ 3,00 por arroba, refletindo maior pressão na ponta vendedora.
O movimento de baixa é influenciado principalmente pela posição confortável das indústrias frigoríficas, que já contam com volumes suficientes para atender os abates do fim de junho e passam a direcionar as compras para a recomposição das escalas de início de julho.
As escalas de abate seguem, em média, próximas de oito dias, indicando equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda, mas com menor necessidade de reposição imediata por parte dos compradores.
Apesar disso, não há excesso significativo de oferta. O que se observa é uma disponibilidade considerada adequada de boiadas gordas, com pecuaristas ainda realizando negociações de forma escalonada, porém em ritmo mais contido.
Segundo a análise, ainda ocorrem negócios pontuais abaixo das referências vigentes, mas sem volume suficiente para alterar de forma estrutural os preços de mercado.
A demanda interna segue considerada regular, porém sem força para sustentar altas. Esse cenário mantém o mercado travado, com viés leve de baixa especialmente para as fêmeas.
No mercado externo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura continuam em patamar elevado, embora tenham mostrado desaceleração gradual ao longo de junho.
A terceira semana do mês registrou embarques inferiores à segunda, que já havia ficado abaixo da primeira semana. Ainda assim, o desempenho acumulado segue forte.
A média diária exportada é de cerca de 13,4 mil toneladas, volume 10,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Em 14 dias úteis, os embarques somaram 187,1 mil toneladas, o que representa 77,6% de todo o volume exportado em junho do ano passado.
O preço médio da tonelada exportada alcançou US$ 6,5 mil, alta de 19,8% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a valorização do produto brasileiro no mercado internacional.
Segundo a Scot Consultoria, a combinação entre volumes robustos de embarques e preços mais altos mantém a expectativa de que junho de 2026 possa registrar o maior faturamento da série histórica para o mês.
Até o momento, a receita acumulada já atinge cerca de 93% do total registrado em todo junho de 2025, indicando desempenho expressivo do setor exportador.
O cenário atual do boi gordo no Brasil segue marcado por um equilíbrio instável: de um lado, escalas confortáveis e pressão pontual sobre as fêmeas; de outro, exportações fortes que ajudam a sustentar o preço da arroba e limitam quedas mais intensas no mercado interno.
A tendência de curto prazo segue dependente do ritmo de reposição dos frigoríficos e da continuidade do desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.
Fonte: Portal do Agronegócio
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