Boi gordo chega a R$ 380 em São Paulo e oferta restrita sustenta alta da arroba
Escalas de abate entre cinco e sete dias úteis mantêm frigoríficos ativos nas compras; levantamento divulgado nesta sexta-feira também aponta negócios próximos de R$ 385 no mercado paulista.
Publicado em: 09/10/2026 às 14:30hs
Os preços do boi gordo seguem em alta nas principais regiões produtoras brasileiras, sustentados pela oferta limitada de animais terminados e pela dificuldade dos frigoríficos em ampliar suas escalas de abate. Na referência da Safras & Mercado para quinta-feira (8), a arroba a prazo chegou a R$ 380 em São Paulo, avanço de 4,11% sobre o encerramento da semana anterior.
O cenário permanece favorável à valorização nesta sexta-feira (9). No levantamento divulgado pelo Compre Rural, comprerural.com referências da Agrifatto apontam negócios em torno de R$ 385 por arroba no mercado paulista, além de algumas indicações próximas de R$ 390. Esses valores variam conforme o lote, as condições de pagamento e a metodologia de cada levantamento.
Escalas curtas aumentam disputa por animais
Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, as programações dos frigoríficos permanecem concentradas entre cinco e sete dias úteis. A disponibilidade restrita de boiadas dificulta a recomposição das escalas e leva indústrias de diferentes portes a elevar suas propostas.
A avaliação do analista é de que o mercado mantém espaço para novos reajustes no curto prazo, embora a intensidade dos ganhos dependa das condições de oferta e demanda em cada praça.
Para o pecuarista com animais prontos, esse ambiente favorece a negociação. Ainda assim, as referências regionais precisam ser consideradas junto às características dos lotes e aos prazos de pagamento.
Preço do boi gordo avança em cinco das seis praças acompanhadas
As cotações a prazo levantadas pela Safras & Mercado em 8 de outubro registraram alta em São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Mato Grosso apresentou estabilidade.
- São Paulo, capital: R$ 380 por arroba, alta de 4,11% frente aos R$ 365 da semana anterior.
- Goiânia (GO): R$ 360 por arroba, avanço de 2,86% sobre R$ 350.
- Uberaba (MG): R$ 365 por arroba, valorização de 4,29% frente a R$ 350.
- Dourados (MS): R$ 370 por arroba, aumento de 4,23% sobre R$ 355.
- Cuiabá (MT): R$ 345 por arroba, sem alteração.
- Vilhena (RO): R$ 355 por arroba, alta de 2,90% frente aos R$ 345 anteriores.
Uberaba apresentou a maior valorização percentual entre as localidades relacionadas, enquanto São Paulo manteve a maior cotação nominal.
Carne bovina encontra sustentação na reposição do início do mês
No atacado, a entrada dos salários na economia favoreceu a reposição de mercadorias durante a semana e ajudou a sustentar os preços da carne bovina.
O quarto traseiro passou de R$ 28 para R$ 28,50 por quilo, aumento de 1,79%. Já o quarto dianteiro permaneceu em R$ 21,50 por quilo, sem mudança em relação ao fechamento da semana anterior.
Apesar da melhora na reposição, Iglesias considera limitado o espaço para novas altas expressivas no atacado. A carne bovina enfrenta a concorrência dos cortes de frango e suíno, que oferecem alternativas mais acessíveis ao consumidor.
Oferta de boiadas e consumo definem próximos movimentos
A sustentação da arroba continua ligada à dificuldade de encontrar animais disponíveis para abate imediato. Enquanto as escalas permanecerem curtas, os frigoríficos tendem a manter a necessidade de compras.
Na outra ponta da cadeia, a capacidade de repassar aumentos ao atacado dependerá do consumo e da competitividade da carne bovina diante das demais proteínas. Essa combinação ajuda a explicar por que a valorização do boi gordo pode ocorrer em ritmo diferente dos reajustes nos cortes.
Fonte: Portal do Agronegócio
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