Bovinos de Corte

Bezerro com ágio elevado exige estratégia refinada na pecuária de corte

Alta do preço do bezerro impacta custos e demanda eficiência na gestão da fazenda


Publicado em: 31/03/2026 às 10:00hs

Bezerro com ágio elevado exige estratégia refinada na pecuária de corte
Foto: Barth Neto

A valorização do bezerro acima de 35% em relação ao boi gordo exige maior atenção de pecuaristas na compra, controle de custos e manejo produtivo. A análise é do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), que destaca ajustes estratégicos para manter a rentabilidade no setor.

Ágio do bezerro: ponto central para controle de custos

Segundo o gerente técnico da SIA, Armindo Barth Neto, o primeiro fator de atenção é o ágio pago pelo bezerro em relação ao boi gordo. Produtores eficientes costumam trabalhar com ágio entre 35% e 40%, mantendo o custo de entrada do animal dentro de limites viáveis.

Em um cenário com arroba do boi gordo em torno de R$ 350, o preço ideal do bezerro na propriedade deve ficar próximo de R$ 15,50 a R$ 16,00 por quilo. “O principal é cuidar do quanto está sendo pago de ágio. Bons produtores operam entre 30% e 35% acima do valor do boi gordo”, reforça Barth Neto.

Controle da média de compra: planilhas como ferramenta

O acompanhamento dos lotes adquiridos é decisivo para equilibrar custos. O SIA recomenda o uso de planilhas de controle para monitorar os valores pagos e compensar compras mais caras com lotes mais baratos, mantendo a média sob controle.

“Não há problema em pagar um lote um pouco mais caro, desde que seja compensado ao longo das compras”, comenta o especialista.

Peso do bezerro na reposição: impacto direto na rentabilidade

O peso do animal na compra influencia diretamente o resultado da recria e terminação. A orientação é evitar animais muito pesados com custo elevado, que podem reduzir a margem de lucro.

A faixa indicada para aquisição é 210 kg a 240 kg, garantindo maior eficiência na fase de engorda.

Eficiência produtiva: pasto manejado e suplementação estratégica

Dentro da propriedade, o foco deve ser custo baixo e alto desempenho. Pastagens bem manejadas e adubadas, combinadas a suplementação de baixo consumo, permitem maior ganho de peso por animal e maior número de bovinos por hectare.

“Com pasto bem conduzido, o produtor consegue alto desempenho com custo relativamente baixo”, afirma Barth Neto.

Terminação e abate: reduzir custo médio e aumentar retorno

A recomendação estratégica é manter o animal o maior tempo possível no pasto e concentrar a fase mais cara no final do ciclo. A entrada na terminação deve ocorrer mais pesada, entre 430 kg e 450 kg, reduzindo o custo médio de produção.

O peso de abate também é decisivo para a rentabilidade: “Abater o animal mais pesado possível aumenta o retorno por cabeça e melhora a relação de troca”, destaca o gerente técnico.

Disciplina na compra e eficiência como pilares da pecuária de corte

Para Barth Neto, em anos de pressão sobre o custo de reposição, é fundamental disciplina na compra, ajuste de lotação e eficiência no sistema produtivo. Essas ações são essenciais para preservar margem e competitividade no setor de pecuária de corte.

Fonte: Portal do Agronegócio

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