Publicado em: 18/02/2026 às 11:45hs
A Associação Brasileira de Hereford e Braford está propondo a criação de um banco genético voltado à preservação das raças da pecuária gaúcha, com o objetivo de proteger o rebanho em situações de risco sanitário, como possíveis surtos de febre aftosa.
A proposta, segundo a entidade, visa assegurar a continuidade produtiva e a segurança genética do setor, especialmente em um momento de recuperação e expansão da pecuária no Rio Grande do Sul e no restante do país.
De acordo com a ABHB, a ideia surge em um contexto de retomada da atividade pecuária, marcado por um novo ciclo produtivo, maior retenção de matrizes e valorização das categorias de reposição. Esse cenário é resultado da redução dos estoques globais de carne, da demanda crescente por proteína de alta qualidade e do retorno da pecuária a áreas antes ocupadas pela agricultura.
Para o presidente da ABHB, Eduardo Soares, a discussão sobre o banco genético é fundamental para preparar o setor diante dos desafios futuros.
“Estamos vivendo um momento muito relevante para a pecuária, com valorização das carnes de qualidade e protagonismo das genéticas Hereford e Braford em diferentes sistemas produtivos. Para aproveitar esse cenário, precisamos estar preparados como cadeia”, destacou o dirigente.
Soares também alerta que a ausência de um banco genético estruturado representa um risco para o Estado, principalmente dentro do contexto sanitário do Conesul.
“O Rio Grande do Sul deixou de vacinar contra a febre aftosa há vários anos, enquanto países vizinhos continuam com a imunização. Qualquer eventualidade sanitária pode causar um dano incalculável às genéticas aqui desenvolvidas”, afirmou.
A proposta da ABHB é que o banco genético funcione como um repositório estratégico, reunindo embriões representativos das principais raças ligadas à cadeia da carne. O intuito é preservar a diversidade genética e garantir a continuidade produtiva em caso de emergências sanitárias.
“Pensamos em um banco que contemple todas as raças de importância para o Sul do Brasil, assegurando a preservação genética como política de proteção da produção e da segurança alimentar”, explicou Soares.
O tema ainda está em fase inicial de discussão e deve ser aprofundado junto ao poder público e outras entidades do setor pecuário. A ABHB pretende ampliar o debate nos próximos meses, buscando o engajamento de diferentes segmentos da cadeia produtiva para construir um modelo de preservação genética colaborativo e sustentável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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