Publicado em: 21/01/2026 às 11:55hs
O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, trouxe uma análise detalhada sobre o desempenho da cadeia produtiva de frango em 2025. O levantamento mostra que, mesmo com embargos temporários e oscilações de custo, o setor consolidou um ano de estabilidade e crescimento moderado.
As exportações de carne de frango registraram forte reação em dezembro, com 496 mil toneladas embarcadas — um aumento de 14% em relação a novembro. Esse resultado compensou o fraco desempenho entre maio e agosto, quando o setor enfrentou restrições após um caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul. No acumulado do ano, os embarques somaram 5,162 milhões de toneladas, praticamente repetindo o resultado de 2024 (+0,1%), com receita total de US$ 9,6 bilhões, ligeira queda de 1,9%.
No mercado doméstico, os preços da carne de frango se mantiveram firmes no quarto trimestre, com a ave inteira congelada em São Paulo estabilizada em torno de R$ 8,10/kg. Após a virada do ano, o setor observou a queda sazonal típica de janeiro, com os valores recuando 7% e atingindo cerca de R$ 7,50/kg na primeira quinzena do mês.
Mesmo com o aumento dos preços do milho e do farelo de soja no mercado spot no final de 2025, os custos monitorados pela Embrapa ainda não refletiram pressão significativa. O spread do frango abatido permaneceu em 42%, nível considerado positivo frente à média histórica de 32%.
A produção nacional também manteve bom ritmo. O Itaú BBA estima que os abates no quarto trimestre de 2025 cresceram 6% em comparação ao mesmo período de 2024, resultando em um avanço de 3,2% no ano completo.
Com o aumento do peso médio das carcaças, a produção total de carne de frango deve ter crescido cerca de 4%, o que indica uma expansão aproximada de 6% no consumo aparente, considerando que as exportações permaneceram estáveis.
Para 2026, as perspectivas são otimistas. O Itaú BBA projeta crescimento de 2% na produção brasileira e alta de 4% nas exportações, apoiadas por custos de ração mais favoráveis e maior demanda global.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), entre os principais produtores mundiais, a China deve liderar o crescimento da produção, com alta de 3,1%, enquanto os Estados Unidos e o Brasil devem avançar 1% e 1,6%, respectivamente. Entre os exportadores, o Brasil se destaca com aumento previsto de 5,5%, o que representa 250 mil toneladas adicionais.
A indústria chinesa também vem ampliando sua presença global, com exportações projetadas em 1,2 milhão de toneladas, praticamente igualando a Tailândia na quarta posição do ranking mundial. Há apenas três anos, o país embarcava cerca de 500 mil toneladas, o que demonstra um salto significativo em competitividade e eficiência.
Os principais destinos da carne chinesa são o Japão e Hong Kong, mas o país tem expandido seus mercados na Ásia, Europa e Oriente Médio. Ainda assim, o USDA prevê que a China importará cerca de 400 mil toneladas em 2026, o maior crescimento entre os importadores.
Com as importações globais de carne de frango devendo crescer 4,5% no próximo ano, o cenário segue favorável para o Brasil. O setor deve se beneficiar de safras de milho e soja positivas, o que tende a reduzir custos e fortalecer a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
Contudo, o risco sanitário permanece como principal desafio, especialmente no controle de possíveis novos casos de gripe aviária, que podem afetar a abertura e a estabilidade dos mercados externos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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