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Avicultura

Preço do frango vivo recua com excesso de oferta, enquanto exportações brasileiras avançam mais de 70% em julho

Mercado interno enfrenta pressão sobre as cotações do frango vivo, mas desempenho das exportações, custos de produção favoráveis e ausência de Influenza Aviária na avicultura comercial reforçam a competitividade do Brasil.


Publicado em: 10/07/2026 às 17:00hs

Preço do frango vivo recua com excesso de oferta, enquanto exportações brasileiras avançam mais de 70% em julho

O mercado brasileiro de frango encerrou a semana com um cenário de contrastes. Enquanto os preços do frango vivo registraram queda em diversas regiões produtoras devido ao excedente de oferta, as cotações dos cortes no atacado permaneceram estáveis. No mercado externo, as exportações seguem em ritmo acelerado e sustentam boas perspectivas para a cadeia avícola nacional.

Segundo análise da Safras & Mercado, a combinação entre ampla oferta de animais prontos para o abate e um ambiente internacional mais desafiador mantém pressão sobre os preços pagos ao produtor. Ainda assim, o Brasil continua ampliando sua participação no comércio global de carne de frango.

Excesso de oferta pressiona preços do frango vivo

O principal fator de pressão sobre o mercado interno é a elevada disponibilidade de aves para abate, que reduziu as cotações do frango vivo em importantes estados produtores.

Os maiores recuos da semana foram registrados em:

  • Mato Grosso do Sul: de R$ 5,20 para R$ 4,85 por quilo;
  • Goiás: de R$ 5,30 para R$ 4,85 por quilo;
  • Minas Gerais: de R$ 5,30 para R$ 4,90 por quilo;
  • Distrito Federal: de R$ 5,25 para R$ 4,90 por quilo.

Nas demais regiões, o mercado apresentou estabilidade:

  • São Paulo: R$ 5,20/kg;
  • Rio Grande do Sul (integração): R$ 4,75/kg;
  • Santa Catarina (integração): R$ 4,75/kg;
  • Oeste do Paraná (integração): R$ 4,60/kg;
  • Ceará: R$ 6,80/kg;
  • Pernambuco: R$ 7,00/kg;
  • Pará: R$ 7,20/kg.

Apesar da pressão atual, analistas observam que uma possível redução no alojamento de pintos nos próximos meses poderá contribuir para um melhor equilíbrio entre oferta e demanda, favorecendo uma recuperação gradual dos preços.

Atacado mantém estabilidade e espera melhora do consumo

Diferentemente do mercado de aves vivas, o atacado apresentou comportamento estável durante toda a semana, refletindo um equilíbrio entre oferta e consumo.

Em São Paulo, os principais cortes congelados permaneceram nos seguintes níveis:

  • peito: R$ 8,50/kg;
  • coxa: R$ 6,90/kg;
  • asa: R$ 11,00/kg.

Na distribuição, os preços seguiram em:

  • peito: R$ 8,70/kg;
  • coxa: R$ 7,10/kg;
  • asa: R$ 11,25/kg.

Os cortes resfriados também não registraram alterações relevantes. No atacado, o peito permaneceu cotado a R$ 8,60/kg, a coxa a R$ 7,00/kg e a asa a R$ 11,10/kg.

A entrada dos salários na economia durante a primeira quinzena do mês tende a favorecer a reposição entre atacado e varejo, o que pode melhorar o ritmo dos negócios nas próximas semanas.

Custos de produção seguem favoráveis à avicultura

Outro fator positivo para o setor é o comportamento dos custos de produção.

A ampla disponibilidade de milho e farelo de soja mantém os preços da ração em níveis considerados competitivos, favorecendo as margens dos produtores integrados e independentes.

Esse cenário reduz parte da pressão causada pela queda dos preços do frango vivo e oferece maior segurança para o planejamento da produção ao longo do segundo semestre.

Brasil amplia competitividade com status sanitário favorável

No mercado internacional, a Influenza Aviária continua sendo um dos principais fatores de atenção para a avicultura mundial.

Entretanto, o Brasil permanece livre de casos da doença na avicultura comercial, condição considerada estratégica para preservar o acesso aos principais mercados compradores.

Além disso, o surgimento de novos focos da enfermidade em países concorrentes pode ampliar ainda mais as oportunidades para os exportadores brasileiros, fortalecendo a liderança do país no comércio global de carne de frango.

Exportações de carne de frango disparam em julho

As exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis iniciaram julho em forte ritmo de crescimento.

Nos seis primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 75,297 mil toneladas, gerando receita de US$ 152,223 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Os indicadores mostram:

  • receita média diária de US$ 50,741 milhões;
  • volume médio diário de 25,099 mil toneladas;
  • preço médio de US$ 2.021,60 por tonelada.

Na comparação com julho de 2025, o desempenho é expressivo:

  • 71,2% de aumento na receita média diária;
  • 53,7% de crescimento no volume embarcado;
  • 11,3% de valorização no preço médio da tonelada.
Perspectivas para o mercado de frango

O setor avícola brasileiro inicia o segundo semestre em um cenário de fundamentos sólidos. Embora o excesso de oferta continue pressionando os preços do frango vivo no mercado interno, a combinação entre custos de produção controlados, estabilidade no atacado, forte demanda internacional e excelente condição sanitária mantém perspectivas positivas para a cadeia produtiva.

Caso a redução dos alojamentos se confirme nos próximos meses, o mercado poderá alcançar um melhor equilíbrio entre oferta e demanda, favorecendo uma recuperação gradual das cotações ao produtor, ao mesmo tempo em que o crescimento das exportações continuará sendo um dos principais sustentáculos da avicultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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