Avicultura

Mercado de frango segue pressionado por alta oferta, mas exportações e queda do milho aliviam cenário

Com demanda interna mais fraca e preços estáveis, setor avícola aposta na redução dos custos de produção e no avanço das exportações para sustentar a rentabilidade


Publicado em: 16/01/2026 às 13:30hs

Mercado de frango segue pressionado por alta oferta, mas exportações e queda do milho aliviam cenário
Foto: Julia Filirovska
Cotações do frango ficam estáveis com tendência de recuo

O mercado de carne de frango no Brasil encerrou a semana com preços entre estáveis e mais baixos, tanto no atacado quanto no mercado vivo. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o ambiente de negócios ainda sinaliza possibilidade de novas quedas nas cotações no curto prazo, reflexo da grande disponibilidade de produto no mercado interno.

Segundo Iglesias, as quedas mais expressivas foram registradas nas regiões Sul e Nordeste. “A boa notícia é que os preços do milho têm recuado, o que contribui para reduzir os custos de nutrição animal”, destacou o analista.

Demanda interna perde força, mas consumo segue sustentado por preço acessível

No segmento de frango abatido, os preços voltaram a apresentar quedas pontuais. O cenário de negócios indica possíveis recuos adicionais ao longo da segunda quinzena de janeiro, período tradicionalmente marcado por menor consumo.

Apesar disso, a preferência do consumidor brasileiro por proteínas de menor custo ainda garante uma demanda consistente pela carne de frango. Iglesias ressalta que esse comportamento segue como um “trunfo importante” para o setor, especialmente diante da atual conjuntura econômica.

Exportações aquecidas devem bater novo recorde

A expectativa para 2026 é de exportações recordes de carne de frango, com potencial para superar a marca de 5,5 milhões de toneladas, conforme projeções da Safras & Mercado.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em janeiro (até o dia 10, com seis dias úteis contabilizados), as exportações de carne de aves e miudezas comestíveis — frescas, refrigeradas ou congeladas — somaram US$ 327,76 milhões, com média diária de US$ 54,63 milhões. O volume exportado chegou a 181,05 mil toneladas, o equivalente a uma média diária de 30,17 mil toneladas.

O preço médio por tonelada ficou em US$ 1.810,40, com alta de 59,6% no valor médio diário e crescimento de 59,9% na quantidade embarcada em relação a janeiro de 2025, embora com ligeira queda de 0,2% no preço médio.

Preços internos registram poucas alterações

O levantamento semanal da Safras & Mercado mostra estabilidade na maioria dos preços praticados no atacado e na distribuição de São Paulo.

Nos cortes congelados, o peito manteve o preço de R$ 10,75/kg, enquanto a coxa recuou de R$ 7,60 para R$ 7,00/kg e a asa permaneceu em R$ 11,00/kg. Na distribuição, o peito seguiu em R$ 11,00/kg, a coxa caiu de R$ 7,80 para R$ 7,20/kg, e a asa manteve-se em R$ 11,20/kg.

Nos cortes resfriados, as variações também foram discretas: o peito ficou em R$ 10,85/kg, a coxa recuou de R$ 7,70 para R$ 7,10/kg, e a asa manteve o preço de R$ 11,10/kg. Na distribuição, o peito seguiu em R$ 11,10/kg, a coxa caiu de R$ 7,90 para R$ 7,30/kg, e a asa permaneceu em R$ 11,30/kg.

Cenário regional: estabilidade e pequenas quedas

No mercado do frango vivo, as cotações apresentaram estabilidade na maioria das praças.

  • Minas Gerais: R$ 5,10/kg
  • São Paulo: R$ 5,20/kg
  • Mato Grosso do Sul: R$ 5,20/kg
  • Goiás e Distrito Federal: R$ 5,05/kg

Na integração catarinense, o preço permaneceu em R$ 4,65/kg, enquanto no Oeste do Paraná houve recuo de R$ 5,00 para R$ 4,60/kg. No Rio Grande do Sul, a cotação seguiu em R$ 4,65/kg.

No Nordeste, o movimento foi de leve retração: em Pernambuco, o preço caiu de R$ 6,00 para R$ 5,80/kg; no Ceará, de R$ 6,20 para R$ 6,00/kg; e no Pará, de R$ 6,50 para R$ 6,30/kg.

Perspectivas: custos em queda e foco no mercado externo

Com o recuo nos preços do milho — principal insumo da ração — e o forte desempenho das exportações, o setor avícola deve encontrar alívio parcial nas margens de produção.

Mesmo com um início de ano marcado por pressão sobre os preços internos, o mercado internacional aquecido e a competitividade da carne de frango brasileira mantêm boas perspectivas para o setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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