Publicado em: 18/05/2026 às 12:00hs
O mercado brasileiro de frango voltou a ganhar força em abril, após um início de ano mais pressionado. Segundo análise do relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a valorização dos preços da ave abatida melhorou os spreads da avicultura e reforçou a competitividade da proteína no mercado doméstico, mesmo diante dos desafios logísticos e comerciais provocados pelas tensões no Oriente Médio.
De acordo com o levantamento, os preços do frango inteiro congelado em São Paulo atingiram R$ 7,60/kg no início de maio, acumulando alta de 5% desde o começo de abril. Na média mensal, o avanço foi de 3,8% sobre março, permitindo recuperação das margens do setor, que passaram de 32% para 35%, considerando estabilidade nos custos de produção.
O relatório destaca ainda que a proteína avícola segue altamente competitiva frente à carne bovina. Atualmente, são necessários 3,15 kg de frango para equivaler ao preço de 1 kg de dianteiro bovino, patamar acima da média dos últimos cinco anos, de 2,32 kg. Já na comparação com a carne suína, o frango perdeu parte da vantagem relativa após a forte queda dos preços do suíno no mercado interno.
As exportações brasileiras de carne de frango continuam apresentando desempenho positivo em 2026. Em abril, os embarques de produtos in natura e industrializados totalizaram 472 mil toneladas, volume 2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. No acumulado do primeiro quadrimestre, o crescimento foi de 4,5% frente ao mesmo intervalo de 2025.
O desempenho ocorre apesar das dificuldades logísticas provocadas pela continuidade das tensões no Oriente Médio e pela obstrução do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional. Segundo o Itaú BBA, os maiores impactos têm sido observados no aumento dos fretes marítimos e na necessidade de utilização de rotas alternativas mais longas e caras.
As vendas para países do Oriente Médio recuaram cerca de 10% no acumulado do ano, com destaque para a queda nos embarques destinados aos Emirados Árabes, Iraque, Kuwait, Iêmen e Jordânia. Por outro lado, mercados como Japão, África do Sul, Filipinas e Holanda ampliaram suas compras e ajudaram a compensar parcialmente as perdas na região árabe.
Outro fator que contribui para o ambiente mais positivo da avicultura brasileira é o cenário mais favorável para os custos de alimentação animal. O relatório aponta que a perspectiva para a segunda safra de milho em Mato Grosso reduz o risco de choques nos preços da ração ao longo do segundo semestre.
Embora estados como Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais enfrentem condições menos favoráveis para a safrinha, a avaliação do Itaú BBA é de que não há risco de desabastecimento, apenas diferenças regionais de preços. Isso tende a manter o panorama de custos relativamente controlado para o setor de proteínas animais.
No mercado doméstico, a combinação entre preços ainda competitivos frente à carne bovina e maior equilíbrio entre oferta e demanda abre espaço para novos reajustes positivos da carne de frango nos próximos meses. O crescimento da produção vem sendo acompanhado pelo avanço das exportações, reduzindo riscos de excesso de oferta no mercado interno.
Nos Estados Unidos, o USDA projeta crescimento moderado da produção de frango, sustentado por custos menores de ração e demanda doméstica aquecida. A produção americana deve avançar 1,9%, enquanto o consumo interno pode crescer 2,4%. Já as exportações tendem a recuar 1,2%, o que mantém a competitividade brasileira elevada no comércio global de carne de frango.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias