Publicado em: 01/04/2026 às 19:00hs
A avicultura do Paraná, principal polo produtor e exportador de frango do Brasil, enfrenta um novo ciclo de pressão econômica impulsionado pelo cenário internacional. A guerra no Oriente Médio agravou os custos de produção e elevou o nível de incerteza no setor, acendendo um sinal de alerta para toda a cadeia produtiva.
De acordo com o Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o cenário torna inevitável o repasse de preços entre 15% e 20% como forma de compensar perdas acumuladas e garantir o equilíbrio entre oferta e demanda.
O protagonismo do Paraná na avicultura nacional também aumenta sua vulnerabilidade diante das oscilações do mercado global. O estado responde por cerca de 41% das exportações brasileiras de carne de frango e mais de 34% da produção nacional.
A cadeia produtiva movimenta aproximadamente R$ 45 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP), além de gerar mais de 100 mil empregos diretos e até 1,5 milhão de empregos indiretos.
Esse peso econômico reforça a importância do estado no abastecimento interno e na segurança alimentar global, ao mesmo tempo em que amplia os impactos de crises internacionais sobre o setor.
Nos últimos ciclos, a avicultura brasileira tem enfrentado aumento expressivo nos custos de produção, afetando diretamente a rentabilidade de agroindústrias e cooperativas.
Entre os principais fatores de pressão estão:
Além disso, os conflitos geopolíticos intensificam os efeitos sobre fretes, energia e previsibilidade dos mercados, aumentando a complexidade da gestão no setor.
Segundo o Sindiavipar, o atual momento representa um ponto de inflexão para a avicultura. O modelo tradicional baseado no aumento de escala passa a dividir espaço com uma nova necessidade: o equilíbrio entre oferta e demanda.
Com mercados internacionais ainda em recomposição e consumo sujeito a oscilações, o risco de sobreoferta ganha relevância, podendo pressionar preços e reduzir margens.
Diante desse contexto, o setor passa por uma mudança de paradigma. Produzir mais já não garante maior rentabilidade.
A orientação agora é focar em eficiência e precisão produtiva, ajustando o volume à demanda real do mercado. A estratégia busca evitar excedentes que possam comprometer toda a cadeia.
Com a elevação dos custos e o cenário global incerto, o Sindiavipar avalia que o repasse de preços ao longo da cadeia produtiva se torna necessário.
A medida é vista como essencial para garantir a sustentabilidade da atividade, mantendo o equilíbrio econômico das empresas e assegurando o abastecimento do mercado interno e externo.
Mesmo diante dos desafios, a avicultura do Paraná continua sendo peça-chave na produção de alimentos e na balança comercial brasileira.
No entanto, o cenário atual exige ajustes rápidos, gestão eficiente e maior atenção às variáveis globais, que passam a influenciar de forma ainda mais direta a competitividade do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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