Frango chega a R$ 8,40 por quilo em SP e exportações devem crescer 12% em 2026, projeta Itaú BBA
Demanda de fim de ano e competitividade frente à carne bovina sustentam perspectivas; aumento da produção limita altas e concorrência chinesa exige atenção para 2027
Publicado em: 16/10/2026 às 10:10hs
O mercado brasileiro de frango apresenta recuperação de preços e perspectivas favoráveis para o último trimestre de 2026, apoiado pelas exportações e pela demanda doméstica. Segundo o Agro Mensal de outubro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o frango inteiro congelado em São Paulo acumulou valorização de R$ 1 por quilo no movimento de recuperação iniciado em setembro, alcançando R$ 8,40 por quilo em 13 de outubro.
Para o fechamento do ano, o banco projeta crescimento de aproximadamente 12% nas exportações, para 5,8 milhões de toneladas, e avanço de cerca de 7% na produção inspecionada, para 15,3 milhões de toneladas. Nesse cenário, o consumo interno também deve atingir novo recorde.
A análise aponta, entretanto, que a expansão da oferta mantém boa disponibilidade de carne no país e limita reajustes mais intensos. Para 2027, a maior presença chinesa nas exportações e os riscos climáticos sobre os grãos estão entre os principais fatores de atenção.
Vantagem de preço frente à carne bovina favorece o frango
Apesar da valorização recente, a carne de frango permanece competitiva em relação ao dianteiro bovino, segundo o relatório.
Em setembro, o valor de um quilo da carcaça dianteira bovina equivalia ao de 2,7 quilos de frango. A relação era de 2,5 quilos no mesmo mês de 2025 e de 2,17 quilos na média dos últimos cinco anos.
Para o Itaú BBA, essa diferença favorece a demanda pela proteína avícola e pode abrir espaço para novos reajustes. A aproximação do fim do ano também tende a contribuir para a sustentação dos preços, diante da sazonalidade favorável do consumo.
Alta dos preços melhora indicador da agroindústria
O custo de produção da avicultura aumentou 3,5% em setembro. Ainda assim, a elevação de 11% no preço médio mensal da ave superou esse avanço e melhorou o indicador de rentabilidade acompanhado pelo banco.
O spread do frango abatido passou de 32% para 37%. O resultado mostra uma relação mais favorável entre preços e custos no período, conforme a metodologia utilizada no relatório.
Nas exportações, o comportamento foi diferente. A redução de 2,9% no preço médio da carne in natura, combinada ao aumento dos custos produtivos, levou o spread de 46% em agosto para 42% em setembro.
Exportações avançam com crescimento das vendas à Ásia e à Europa
No recorte apresentado pelo Itaú BBA, que considera cortes in natura, industrializados e miudezas, as exportações de setembro somaram 487 mil toneladas, alta de 4% sobre o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o crescimento foi de 14,6%.
Os destinos tiveram desempenhos distintos. Enquanto as vendas ao Oriente Médio recuaram 1,5%, os embarques avançaram:
- 24% para a Ásia;
- 14% para a África;
- 132% para a União Europeia.
O desempenho externo contribui para absorver a produção brasileira, embora a queda do preço médio de exportação tenha limitado o resultado econômico dessas operações em setembro.
Produção maior mantém abastecimento no mercado interno
As estimativas do banco para agosto indicam ritmo de produção 8% superior ao registrado um ano antes. Na elaboração do relatório, os dados preliminares de abate de setembro ainda estavam incompletos.
Segundo a consultoria, esse crescimento mantém ampla disponibilidade de carne de frango no mercado doméstico, mesmo com o avanço das exportações.
A oferta elevada funciona como um limite para aumentos mais intensos de preços. Ainda assim, a combinação entre consumo interno, competitividade frente à carne bovina e vendas externas sustenta uma avaliação positiva para o curto prazo.
Milho disponível favorece custos, mas El Niño permanece no radar
Do lado da alimentação das aves, o Itaú BBA destaca a boa disponibilidade de milho no Brasil e a perspectiva de ampliação da área da primeira safra. Esses fatores tendem a evitar pressões significativas sobre os custos nos próximos meses.
O relatório ressalta, porém, a necessidade de acompanhar o plantio e o desenvolvimento da soja sob influência de um El Niño forte. Eventuais alterações no calendário e nas condições das lavouras podem afetar a oferta e a produtividade do milho safrinha.
Assim, o cenário de abastecimento favorável no curto prazo não dispensa o monitoramento da próxima temporada de grãos.
China pode ampliar concorrência nas exportações em 2027
As primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para 2027, citadas pelo banco, indicam aumento de 1,9% na produção brasileira de carne de frango e de 0,9% nas exportações.
Esse cenário considera a manutenção de restrições ao mercado europeu ao longo de 2027.
A China aparece como destaque no comércio internacional, com projeções de crescimento de 5,6% na produção e de 25% nas exportações. Segundo a análise, preços competitivos e maior presença em mercados emergentes podem levar o país a superar a União Europeia e ocupar a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais.
Para a avicultura brasileira, o relatório combina perspectivas favoráveis de demanda no encerramento de 2026 com a necessidade de acompanhar a concorrência externa e os custos da alimentação no próximo ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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