Publicado em: 18/06/2026 às 12:00hs
A avicultura brasileira atravessa um momento favorável em 2026, sustentada pelo forte desempenho das exportações, pela competitividade da proteína no mercado interno e pelo controle dos custos de produção. No entanto, desafios relacionados ao aumento da oferta, às exigências sanitárias internacionais e aos riscos climáticos para as próximas safras seguem no radar do setor.
É o que aponta a mais recente edição do relatório Agro Mensal, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que analisa o cenário da cadeia produtiva do frango no Brasil e no mercado internacional.
O principal destaque do setor continua sendo o mercado externo. Em maio, as exportações brasileiras de carne de frango, considerando produtos in natura e industrializados, somaram 497 mil toneladas, volume 30,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, os embarques avançaram 9% em comparação com igual período de 2025, confirmando a forte presença do Brasil nos principais mercados consumidores.
Mesmo diante das incertezas geopolíticas no Oriente Médio — região responsável por quase 30% das exportações brasileiras de frango — os embarques apresentaram recuperação em relação aos meses anteriores. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos lideraram o movimento de crescimento, enquanto os preços médios de exportação também registraram leve avanço.
Esse cenário manteve o spread das exportações em 44%, acima da média histórica de 38%, evidenciando a elevada rentabilidade das vendas externas para a indústria brasileira.
No mercado doméstico, a carne de frango continua ganhando espaço junto aos consumidores devido à sua competitividade em relação às proteínas concorrentes.
O preço da ave abatida em São Paulo apresentou alta média de 2,4% em maio frente ao mês anterior. Ao mesmo tempo, os custos de produção recuaram 0,7%, favorecendo a melhora das margens da atividade. O spread da avicultura alcançou 37%, ligeiramente acima da média histórica do setor.
Outro fator importante para a sustentação da demanda é a diferença de preços em relação à carne bovina. Enquanto a carne de frango permanece cerca de 13% mais barata na comparação anual, o dianteiro bovino acumula valorização de aproximadamente 15% no mesmo período.
Essa relação continua favorecendo o consumo da proteína avícola, especialmente em um cenário de renda ainda pressionada para parte dos consumidores brasileiros.
Apesar do ambiente positivo para a demanda, o crescimento da oferta vem impedindo movimentos mais fortes de valorização dos preços.
Dados preliminares do IBGE apontam aumento de 3,7% no número de aves abatidas no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, houve crescimento de 3,2% no peso médio das carcaças, resultando em uma expansão de aproximadamente 7% na produção total de carne de frango.
Essa maior disponibilidade de produto no mercado interno ajuda a explicar por que as cotações não avançam com mais intensidade, mesmo diante do forte desempenho das exportações.
Outro ponto favorável para o setor é o comportamento dos custos de alimentação animal.
Segundo o Itaú BBA, o avanço da colheita da segunda safra de milho reduz o risco de pressões relevantes sobre os custos das rações ao longo do segundo semestre de 2026.
Com isso, as perspectivas para a produção de aves permanecem positivas no curto prazo, sustentadas pela combinação entre custos relativamente controlados e demanda aquecida, tanto no mercado doméstico quanto no exterior.
Embora o cenário atual seja favorável, os desafios estruturais da avicultura brasileira começam a ganhar importância nas análises de médio prazo.
A confirmação do fenômeno El Niño para os próximos meses aumenta as preocupações com a produção de milho da safra 2026/27, podendo gerar impactos sobre os custos da alimentação animal em 2027. O fenômeno climático pode comprometer a regularidade das chuvas em importantes regiões produtoras e elevar a volatilidade dos preços dos grãos.
Além da questão climática, o setor acompanha com atenção a decisão da União Europeia de restringir a entrada de carnes brasileiras diante de questionamentos relacionados ao uso de antimicrobianos e às exigências sanitárias cada vez mais rigorosas.
Embora o bloco europeu represente apenas cerca de 4,5% do volume exportado pelo Brasil, trata-se de um mercado estratégico, com elevado valor agregado e forte influência sobre padrões sanitários globais.
Mesmo diante dos desafios, o relatório do Itaú BBA avalia que a avicultura brasileira continua em posição privilegiada no cenário global.
A combinação entre custos competitivos, demanda internacional consistente e vantagem de preço frente às proteínas concorrentes deve manter o setor em trajetória favorável nos próximos meses.
Contudo, o aumento da oferta interna, os riscos climáticos associados ao El Niño e as crescentes exigências sanitárias dos mercados importadores exigirão planejamento estratégico, investimentos em rastreabilidade e atenção redobrada à gestão dos custos para preservar a competitividade da cadeia produtiva brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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