Publicado em: 25/07/2025 às 07:00hs
Mesmo após a reabertura de 30 mercados internacionais ao frango brasileiro, o Brasil ainda precisa manter atenção redobrada para continuar livre da gripe aviária. A avaliação é do médico-veterinário Cesar Hisasi, diretor Comercial da Chemitec Agro-Veterinária. Segundo ele, a desinfecção rigorosa nas granjas é o principal “passaporte sanitário” para garantir o controle da doença no país.
Desde o início de maio, os noticiários têm reportado suspeitas e confirmações da gripe aviária no Brasil. O que mais preocupou o setor foi a confirmação do primeiro caso da doença em uma granja comercial, fato que causou repercussão global. Embora o Brasil tenha se autodeclarado livre da doença um mês depois, o episódio acendeu o alerta.
Mesmo com a reabertura dos mercados, a situação ainda exige vigilância. A grande questão agora é como manter o país livre da doença. Segundo Hisasi, isso passa por um conjunto de ações, com foco principal no controle sanitário e na atuação direta dos produtores rurais.
A gripe aviária é causada pelo vírus H5N1, identificado pela primeira vez na China, em 1996. Até maio de 2024, o Brasil não havia registrado casos em granjas comerciais. Em contraste, os Estados Unidos — segundo maior produtor mundial de frango — já enfrentam um cenário de descontrole desde 2022, com mais de 170 milhões de aves mortas.
Mais de 150 casos em aves silvestres e domésticas já foram registrados no Brasil desde 2023. Essa contaminação ocorre, principalmente, por meio das migrações dessas aves, o que exige ainda mais atenção para que o vírus não atinja os ambientes de produção comercial.
Nas granjas comerciais, o controle é mais eficiente — e depende diretamente dos produtores. A principal recomendação é reforçar os protocolos de higiene, com foco na limpeza, desinfecção e controle de acesso. O ambiente deve estar sempre seco, limpo e seguro, evitando o contato das aves com animais silvestres ou domésticos.
A limpeza rigorosa das instalações, equipamentos e áreas de manejo é um dos principais pilares para conter a doença. O Brasil é reconhecido mundialmente por sua avicultura de alta qualidade, e esse momento exige um reforço nas medidas sanitárias, especialmente a desinfecção.
Cesar Hisasi faz uma analogia com a pandemia de COVID-19: assim como o distanciamento e a higienização das mãos foram cruciais para evitar o contágio, no caso da gripe aviária, a higiene das granjas e o uso correto de desinfetantes são fundamentais para prevenir a propagação do vírus.
Investir em desinfecção, isolamento e controle de acesso nas granjas não protege apenas os animais, mas também a reputação da produção nacional e a economia brasileira. “O efeito de uma doença como essa não se limita ao produtor. É uma reação em cadeia que pode atingir toda a cadeia produtiva”, finaliza Hisasi.
A manutenção do status de país livre da gripe aviária depende de ações firmes e contínuas. Com a adoção de boas práticas de biosseguridade, especialmente a desinfecção rigorosa, o Brasil pode se manter protegido e garantir a continuidade de suas exportações no mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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