Publicado em: 12/09/2016 às 10:40hs
Repetindo o ocorrido em seis dos oito meses passados, o frango vivo comercializado no interior paulista completou o primeiro decêndio de setembro alheio àquele que é o melhor momento econômico do mês. Ou seja: nos oito dias de negócios do período permaneceu com a mesma cotação (R$3,10/kg) alcançada no último dia de agosto.
Mais preocupante, neste caso, é que em nenhum momento do decêndio foi observada alguma firmeza de mercado, ocorrência quase natural na época de pagamento dos salários. Pelo contrário, o ambiente de negócios se manteve calmo, chegando mesmo a registrar negociações por valores inferiores aos da cotação referencial.
Frente a tal desempenho, mínguam as possibilidades de alguma valorização no restante de setembro. E se nada de positivo ocorrer, a atividade será colocada novamente em xeque, visto que os R$3,10/kg atualmente registrados (quando efetivamente praticados) estão apenas 20 centavos (perto de 7%) acima dos R$2,90/kg que vigoraram há um ano, entre 9 e 30 de setembro. E isso, inegavelmente, é incompatível com o aumento de custos que o setor enfrenta desde o início do ano.
Apenas para ilustrar: com a venda de uma tonelada de frango vivo (R$3.100,00), o avicultor compra hoje 72 sacas de milho (±R$43,00/saca). Pois isso corresponde a menos de 80% da quantidade adquirível há um ano com o mesmo volume de frango vivo (frango: R$2,90/kg; milho: R$32,00/saca). Ou, por outro lado, para adquirir idêntico volume de milho de um ano atrás o produtor necessita hoje de um volume de frangos vivos quase 26% maior.
A possibilidade de mudança desse cenário recai, sobretudo, na valorização do frango. Porque são mínimas as chances de reversão do milho.
Mas, aparentemente, o eventual ganho do frango vivo está longe de acontecer – a despeito de sensível redução na produção. E não só porque os abatedouros vêm operando apenas com a produção própria, mas também porque empresas que até agora recorriam ao frango independente estão sem condições financeiras de chegar ao mercado. E isto não se equaciona tão cedo.
Fonte: Avisite
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