Publicado em: 17/03/2014 às 17:30hs
Avicultores de Santa Catarina reclamam do preço pago pelas empresas integradoras pelo lote do frango. Segundo eles, valor repassado não cobre os custos com a criação das aves.
A associação dos avicultores da região de Rio Negrinho já fez as contas. Considerando todas as despesas e investimentos para a produção, os gastos ultrapassam em mais de 35% o valor recebido por frango.
Mais de 400 famílias da região criam frangos para frigoríficos nacionais, como a Tyson do Brasil e a JBS. No sistema de integração, os produtores recebem as aves com um dia de vida e a ração necessária para o desenvolvimento até que elas tenham quase 3 quilos, em aproximadamente 45 dias. Os outros custos, como despesas com energia elétrica e estrutura, devem ser arcados pelo avicultor, com isso, os produtores acumulam dívidas que não sabem como pagar.
Entre os investimentos estão a compra de geradores de energia, silos de ração e um sistema automático de controle de alimentação e refrigeração. Os avicultores dizem que os equipamentos são exigências das empresas para os novos integrados.
Erikson Linus Wantowski investiu mais de R$ 1 milhão para construir um aviário com capacidade para até 81 mil aves e está tendo prejuízos. “Em pouco mais de dois anos de produção, eu gastei mais de R$ 100 mil em investimentos para suprir as necessidades do aviário”, diz.
Os produtores contam ainda que há mais de 3 anos não há reajuste no valor pago por ave.
A Tyson do Brasil informa que o valor pago por frango é uma relação entre o consumo de ração e o peso do animal no momento do abate. A empresa diz que paga valores mais altos para os produtores que fazem mais investimentos nas propriedades. Já a JBS informa que mantém contato constante com os integrados para encontrar uma solução justa para a questão do preço.
Os avicultores pretendem manter as negociações, mas se não forem ouvidos, podem tomar outras medidas. “Se for necessário, nós vamos entrar em greve, vamos parar de alojar e não vamos mais deixar abater”, explica Lisa Mara Cristoff Netipanyj, presidente da Associação dos Criadores.
Os avicultores querem negociar também a redução nos intervalos entre os lotes e o tempo de permanência dos frangos nas granjas.
Fonte: G1
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