Vietnã reage às restrições do Brasil e mobiliza governo para manter exportações de tilápia
Com Brasil consolidado como principal mercado da tilápia vietnamita, setor exportador pressiona autoridades por ações diplomáticas enquanto produtores brasileiros defendem rigor sanitário e Análise de Risco de Importação.
Publicado em: 10/07/2026 às 11:50hs
As discussões sobre possíveis restrições às importações de tilápia no Brasil ganharam repercussão internacional. A Associação Vietnamita de Exportadores e Produtores de Pescados (VASEP) acionou oficialmente o governo do Vietnã para intensificar as negociações com as autoridades brasileiras e preservar o acesso ao principal mercado de destino da tilápia produzida no país asiático.
A entidade encaminhou ofícios aos ministérios vietnamitas das Relações Exteriores, Agricultura e Desenvolvimento Rural e Indústria e Comércio solicitando uma atuação coordenada para contestar as medidas em debate no Brasil, consideradas uma ameaça às exportações do setor.
Brasil se tornou o principal destino da tilápia vietnamita
Segundo a VASEP, o mercado brasileiro assumiu posição estratégica para a indústria aquícola do Vietnã, o que aumenta a preocupação diante das iniciativas que podem restringir as importações.
Entre os principais pontos de atenção estão o fortalecimento dos controles sanitários, quarentenários e tributários em alguns estados brasileiros, além da tramitação do Projeto de Lei nº 6.331/2025, que propõe a proibição da importação de tilápia e de seus derivados.
Na avaliação da associação vietnamita, essas medidas podem comprometer significativamente o fluxo comercial entre os dois países.
Governo vietnamita é pressionado por ações diplomáticas
Como resposta ao cenário, a VASEP pediu ao governo do Vietnã a adoção de medidas para ampliar o diálogo bilateral com o Brasil.
Entre as propostas apresentadas estão:
- envio de uma missão técnica ao Brasil durante a Seafood Show Latin America, prevista para outubro;
- elaboração de um dossiê técnico nacional sobre o sistema de produção de tilápia vietnamita;
- intensificação das negociações diplomáticas com as autoridades brasileiras para preservar o comércio entre os dois países.
O objetivo é demonstrar a conformidade da produção vietnamita com os requisitos internacionais e buscar uma solução técnica para evitar novas barreiras comerciais.
Setor brasileiro defende rigor sanitário e igualdade de regras
Do lado brasileiro, a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) reforça que o setor produtivo não busca impedir o comércio internacional, mas garantir que todas as importações cumpram integralmente a legislação sanitária brasileira.
A principal reivindicação da entidade é que o Ministério da Agricultura e Pecuária realize a Análise de Risco de Importação (ARI) diretamente no Vietnã, procedimento previsto na legislação nacional para avaliar os riscos sanitários associados à entrada de produtos aquícolas estrangeiros.
Segundo a PEIXE BR, a conclusão desse processo é essencial para assegurar transparência, critérios técnicos e isonomia entre os produtos nacionais e importados.
Segurança sanitária e competitividade da piscicultura brasileira
A entidade também destaca que a proteção da sanidade aquícola nacional é estratégica para a sustentabilidade da cadeia produtiva brasileira, reduzindo riscos de introdução de enfermidades que possam comprometer a produção e o abastecimento interno.
Além da segurança sanitária, o setor considera fundamental que as exigências aplicadas aos produtos importados sejam equivalentes às impostas aos produtores brasileiros, preservando a competitividade da piscicultura nacional.
Com o Brasil consolidado como um dos mercados mais importantes para a tilápia vietnamita, o tema deve permanecer no centro das negociações comerciais e sanitárias entre os dois países nos próximos meses, enquanto produtores e autoridades discutem os critérios técnicos que poderão definir o futuro das importações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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