Aquicultura e Pesca

Santa Catarina produziu 40 mil toneladas de peixe de água doce em 2014

Santa Catarina produziu 40.324 toneladas de peixe de água doce em 2014, o que coloca o Estado como o quinto maior produtor do país


Publicado em: 26/10/2015 às 14:30hs

Santa Catarina produziu 40 mil toneladas de peixe de água doce em 2014

Os dados fazem parte do relatório “Desempenho da piscicultura de água doce”, divulgado pelo Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri (Epagri/Cedap). Os números representam um crescimento de mais de 3 mil tonelada em relação a 2013, quando foram produzidas 36.565 toneladas.

Os valores expressivos são resultados das tecnologias desenvolvidas e difundidas pela Epagri/Cedap, já que Santa Catarina possui algumas peculiaridades que são limitantes para a atividade. O frio inverno catarinense dificulta e até inviabiliza a produção de diversas espécies de peixes, principalmente nas regiões mais altas.

Aqui, a produção de alevinos fica restrita entre outubro e março, quando as temperaturas são mais elevadas. Assim, enquanto outras regiões do país conseguem produzir facilmente duas safras anuais, em Santa Catarina ocorre apenas uma, normalmente. Mesmo assim, o Estado consegue produzir grande variedade e quantidade de peixes de águas doce, ficando atrás somente de Rondônia, Mato Grosso, Paraná e Ceará e permanecendo a frente de São Paulo.

O levantamento da Epagri classifica os produtores em duas categorias: o amador, que produz por lazer e faz vendas eventuais, e o profissional, que vende de forma sistemática e regular. Os 26.493 piscicultores amadores catarinenses produziram 15.613 toneladas em 2014. Já os 3.433 profissionais foram responsáveis por 24.709 toneladas, gerando diretamente R$ 182 milhões.

Considerando somente a produção profissional, a região de Joinville foi a campeã, seguida por Tubarão, Rio do Sul, Blumenau, São Miguel do Oeste e Palmitos. Apesar de serem em menor número, os profissionais respondem por 61% do total produzido, já que empregam tecnologia de ponta. As espécies mais produzidas são tilápias (66,9%) e carpas (25,5%).

O estudo também apurou um indicativo de mudança no mercado consumidor em 2014. No atual levantamento foi possível perceber uma leve tendência dos produtores em entregar os peixes para as indústrias e os abatedouros (35%) em detrimento dos pesque-pague (45%), os principais compradores atacadistas. O volume restante (20%) foi entregue para o mercado local, formado por restaurantes, peixarias e vendas na própria propriedade.

Os pesque-pague pagam entre 10% e 15% a mais pelo quilograma do peixe, por isso ainda são preferência entre os produtores. Mas as indústrias vêm oferecendo cada vez mais vantagens, já que compram peixes menores, o que implica em menos tempo de cultivo e, conseqüentemente, menores custos. Os industriais também compram todos os peixes de uma só vez, diferentemente dos pesque-pague, que compram em parcelas, forçando o produtor a realizar várias despescas anuais, o que eleva custos e torna difícil a contratação de mão de obra.

Outro fato é o reduzido número de pesque-pagues no Estado, em contraposição à indústria, que não tem limite de compra e se queixa de falta de matéria-prima. Cada vez mais frigoríficos especializados no abate de peixes de água doce se instalam no Estado, tanto de grande como de pequeno porte. Muitos esbarram na falta de matéria-prima e acabam encerrando suas atividades ou enfrentando problemas de caixa, o que demonstra o quanto esse mercado ainda tem a crescer.

Programa de Melhoramento da Piscicultura

A Secretaria da Agricultura criou um Programa para fortalecer e modernizar a piscicultura no estado. Por meio do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), a Secretaria emprestar os recursos necessários para aquisição de kits com equipamentos básicos para o acompanhamento diário das condições do cultivo. O kit será composto de oxímetro, pHmetro e disco de sechi, no valor de R$3.750,00. Os piscicultores beneficiados terão prazo de dois anos para pagar, sem juros. Caso o produtor pague à vista na data de vencimento da primeira parcela, terá um desconto de 60% sobre o valor da segunda parcela.

O secretário da Agricultura, Moacir Sopelsa, ressalta que os piscicultores terão um apoio para investir na atividade e se qualificar ainda mais e os produtores rurais podem encontrar produção de peixes de água doce uma alternativa de renda importante. “Queremos fazer a piscicultura acontecer em Santa Catarina. A atividade tem um grande potencial de crescimento, tanto em produção quanto em produtividade. Os produtores amadores podem se profissionalizar, conquistar mercados e gerar riqueza em sua propriedade”.

Leia aqui o relatório completo.

Fonte: Governo do Estado de Santa Catarina

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