Aquicultura e Pesca

Piscicultura brasileira cresce no primeiro semestre de 2026, mas enfrenta desafios regulatórios e pressão das importações

Consumo de peixes de cultivo segue em expansão no mercado interno, enquanto exportações, importações e mudanças regulatórias elevam as preocupações da cadeia produtiva


Publicado em: 02/07/2026 às 11:35hs

Piscicultura brasileira cresce no primeiro semestre de 2026, mas enfrenta desafios regulatórios e pressão das importações

A piscicultura brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento do consumo interno de peixes de cultivo, impulsionado principalmente pela demanda registrada durante a Quaresma. O desempenho reforça uma tendência de expansão observada ao longo da última década, consolidando a atividade como um dos segmentos mais importantes na produção de proteína animal no país.

Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), a tilápia permanece como o principal peixe cultivado consumido pelos brasileiros, representando aproximadamente 70% da produção aquícola nacional. Entre as espécies nativas, o tambaqui continua ocupando posição de destaque na preferência dos consumidores.

Para o presidente executivo da PEIXE BR, Francisco Medeiros, o resultado confirma a evolução do setor e sua importância para o abastecimento do mercado nacional.

Apesar do cenário positivo no consumo doméstico, o mercado internacional apresentou um desempenho mais moderado ao longo dos primeiros seis meses do ano. De acordo com Medeiros, a redução anterior da tarifa de importação para 10% não trouxe os resultados esperados para os exportadores brasileiros, uma vez que o benefício foi estendido a todos os concorrentes internacionais. Com a elevação da tarifa para 25%, o ritmo das negociações tornou-se mais lento.

Ainda assim, a expectativa da entidade é de recuperação das exportações no segundo semestre, desde que haja avanços nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Questões regulatórias preocupam a cadeia produtiva

Além das incertezas comerciais, a piscicultura brasileira enfrentou importantes desafios regulatórios considerados estratégicos para o futuro da atividade.

Um dos principais pontos de atenção envolve a inclusão do tambaqui na lista de espécies ameaçadas de extinção pelo Governo Federal. Embora a medida tenha como objetivo fortalecer a conservação ambiental, a PEIXE BR avalia que a classificação poderá criar obstáculos para a exportação do pescado cultivado, especialmente em mercados internacionais que adotam restrições para espécies classificadas como ameaçadas.

Segundo a entidade, o tema gera preocupação justamente em um momento em que governo e setor produtivo trabalham para ampliar a presença internacional do tambaqui.

Outro debate que mobiliza produtores, entidades e representantes políticos diz respeito à proposta em discussão na Comissão Nacional de Biodiversidade (CONABIO), no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e no Ministério do Meio Ambiente (MMA), que poderá classificar a tilápia como espécie exótica invasora.

Na avaliação da associação, caso essa classificação seja confirmada, poderão surgir restrições ao crescimento da atividade, além de impactos na produção, comercialização e exportação da espécie em função dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para o controle de espécies invasoras.

Importação de tilápia do Vietnã amplia preocupação do setor

Outro fator que preocupa a cadeia produtiva é a abertura do mercado brasileiro para a importação de tilápia proveniente do Vietnã.

De acordo com a PEIXE BR, a medida ocorreu no contexto das negociações comerciais envolvendo as exportações de carnes brasileiras, sem considerar as diferenças nas políticas de incentivo entre os dois países.

Francisco Medeiros destaca que, embora os custos de produção sejam semelhantes, os subsídios concedidos pelo governo vietnamita permitem que o filé de tilápia importado chegue ao mercado brasileiro por valores inferiores ao custo da matéria-prima produzida no país.

Além da concorrência considerada desleal, o setor também mantém preocupações relacionadas aos aspectos sanitários envolvendo o pescado importado.

Expectativa é de retomada do consumo e das exportações

Mesmo diante das incertezas regulatórias e comerciais, a perspectiva para o segundo semestre permanece otimista.

Historicamente, o consumo de pescado cresce com a chegada do período de temperaturas mais elevadas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, favorecendo o mercado interno.

Para a PEIXE BR, essa tendência deverá se repetir em 2026, mantendo a trajetória de crescimento da piscicultura nacional. Caso haja estabilidade nas discussões regulatórias e avanço nas negociações comerciais internacionais, a expectativa também é de recuperação dos embarques para o mercado externo.

"O consumo continua aquecido e confirma o comportamento observado na última década para os peixes de cultivo. É um mercado em expansão, mas que exige atenção crescente aos desafios sanitários, regulatórios e comerciais", avalia Francisco Medeiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

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