Importação de tilápia do Vietnã cresce 3,5 vezes e setor pede cota de 5%
Entidades da piscicultura solicitam limite para entrada de filés, maior fiscalização sanitária e controle sobre qualidade e quantidade de água adicionada ao produto
Publicado em: 22/09/2026 às 10:10hs
O avanço das importações brasileiras de filé de tilápia do Vietnã levou entidades da piscicultura a solicitar ao governo federal a criação de uma cota para a entrada do produto no país. A proposta é limitar as compras externas a 5% do volume de filé de tilápia comercializado no mercado nacional.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil importou 4.892 toneladas de filé vietnamita, ante 1.407 toneladas no mesmo período anterior. O volume ficou quase 3,5 vezes maior, segundo dados do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura, da Embrapa Pesca e Aquicultura.
O crescimento preocupa produtores e indústrias brasileiras, que apontam riscos para os preços, a renda das propriedades e a manutenção de empregos na cadeia produtiva.
Entidades pedem limite para importação de tilápia
O pedido foi apresentado pela Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), Associação Catarinense de Aquicultura (ACAq), Associação Mineira de Aquicultura (Peixe MG), Associação dos Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat) e Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca).
As organizações enviaram um ofício ao ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, solicitando uma articulação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Câmara de Comércio Exterior (Camex).
A principal reivindicação é a implantação de uma cota correspondente a 5% do mercado brasileiro de filé de tilápia. O objetivo, segundo as entidades, é evitar que o aumento das compras internacionais prejudique principalmente produtores de pequeno e médio porte.
“Essa importação é predatória e está tirando emprego e renda dos produtores brasileiros, especialmente os pequenos e médios. A piscicultura corre sério risco de colapso se não for tomada medida eficaz contra a importação”, afirma Marilsa Patrício Fernandes, secretária executiva da Peixe SP.
Fiscalização sanitária também está entre as reivindicações
Além da cota, as entidades defendem maior rigor na fiscalização dos filés importados. O pedido envolve o reforço das exigências sanitárias, dos padrões de identidade e qualidade e das regras socioambientais aplicadas ao produto estrangeiro.
Outro ponto citado é o controle do glazing, camada de gelo utilizada para proteger o pescado durante o armazenamento e o transporte. As associações querem fiscalização sobre a quantidade de água adicionada, com o objetivo de evitar distorções no peso comercializado e possíveis práticas de concorrência desleal.
As medidas solicitadas ainda dependem de avaliação e articulação entre os órgãos federais. O documento não informa prazo para eventual definição da cota ou adoção de novas exigências.
Tilápia torna-se a terceira espécie mais importada pelo Brasil
Com o aumento das compras provenientes do Vietnã, a tilápia passou a ocupar a terceira posição entre as espécies de pescado mais importadas pelo Brasil, atrás apenas do salmão e do pangasius.
Para as entidades, o avanço acelerado do produto estrangeiro pode pressionar a cadeia nacional em um momento de expansão da produção brasileira. O impacto tende a atingir desde os piscicultores até frigoríficos, fornecedores de insumos, transportadores e demais empresas ligadas à atividade.
Marilsa Fernandes destaca que a tilapicultura apresentou forte crescimento nos últimos anos e possui potencial para ampliar sua participação na produção brasileira de proteínas animais. Segundo ela, entretanto, o desenvolvimento do setor depende de condições equilibradas de concorrência.
Exportações brasileiras de tilápia aos EUA recuam
Enquanto as importações aumentam, o produto brasileiro perde espaço no mercado dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 6.893 toneladas de tilápia para o país. Entre janeiro e junho de 2026, o volume caiu para 2.778 toneladas.
A redução das vendas ao principal mercado externo e o aumento da entrada do pescado vietnamita ampliam a preocupação do setor com a capacidade de absorção da produção nacional.
Nesse cenário, as associações defendem que a política para a tilapicultura combine medidas comerciais, sanitárias e de fiscalização. A avaliação é que a adoção de regras mais rigorosas para os produtos importados pode preservar a competitividade da produção brasileira sem comprometer os padrões de qualidade exigidos no mercado interno.
Fonte: Portal do Agronegócio
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