Aquicultura e Pesca

Exportações da piscicultura brasileira mantêm estabilidade em 2025, mesmo com tarifa de 50% dos EUA

Setor fecha o ano com aumento de 2% na receita e leve queda no volume exportado; empresas ampliam presença no Canadá e México e apostam em novos mercados após tarifaço norte-americano


Publicado em: 27/01/2026 às 18:00hs

Exportações da piscicultura brasileira mantêm estabilidade em 2025, mesmo com tarifa de 50% dos EUA
Foto: AEN PR
Exportações da piscicultura resistem ao impacto das tarifas dos Estados Unidos

Apesar do cenário desafiador provocado pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras da piscicultura encerraram 2025 com desempenho estável. O país registrou quase US$ 60 milhões em receitas, um aumento de 2% em relação a 2024, enquanto o volume exportado teve queda de 1%, totalizando 13,7 mil toneladas.

Os dados constam da 24ª edição do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR).

Segundo o pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa (Palmas-TO), o impacto do tarifaço foi menor do que o esperado. “A medida começou a valer em agosto e reduziu as exportações do terceiro e quarto trimestres em 28% e 34%, respectivamente. Ainda assim, o bom desempenho de janeiro a julho sustentou o resultado positivo no acumulado do ano”, explicou.

Tilápia mantém protagonismo nas exportações e impulsiona receitas

A tilápia continua sendo o carro-chefe das exportações brasileiras de peixes cultivados. A categoria de filés frescos ou refrigerados registrou aumento de 12% em valor, passando de US$ 36,6 milhões em 2024 para US$ 41,1 milhões em 2025.

Por outro lado, a categoria de peixes inteiros congelados, a segunda mais importante, apresentou queda de 27%, totalizando US$ 12,9 milhões, ante US$ 17,6 milhões no ano anterior. Mesmo assim, o setor observou um crescimento expressivo de 245% nas exportações de filés congelados, que ultrapassaram US$ 3 milhões.

Pedroza destaca que o principal impacto do tarifaço foi a redução das vendas de tilápia para os Estados Unidos, que ainda assim seguiram como principal destino das exportações, respondendo por 87% do total comercializado (US$ 52,1 milhões).

Canadá e México ganham espaço como novos mercados da tilápia brasileira

Com o recuo das vendas para os Estados Unidos, as empresas brasileiras buscaram novos mercados para escoar a produção. O Canadá foi o principal destaque, com alta de 108% nas importações de tilápia brasileira em 2025. Já o México retomou as compras após um período de retração, fortalecendo-se como mercado estratégico alternativo.

Além disso, o crescimento de 421% nas exportações de filés congelados de tilápia sugere uma mudança de estratégia comercial, voltada para produtos com maior valor agregado e acesso facilitado em mercados secundários.

Importações e participação global do Brasil na piscicultura

O estudo da Embrapa também aponta que o Brasil importou US$ 1,5 milhão em filés de tilápia do Vietnã, equivalente a 374 toneladas, tornando-se a terceira espécie de peixe mais importada, atrás apenas do salmão e do pangasius.

Mesmo com o tarifaço, o Brasil segue entre os principais exportadores de tilápia do mundo, consolidando-se como um fornecedor relevante na América do Norte e na América Latina.

Perspectivas para 2026: busca por novos mercados e acordo com a União Europeia

Para 2026, a expectativa é de cautela. Segundo Manoel Pedroza, caso o tarifaço dos EUA seja mantido, as exportações da piscicultura podem cair em relação a 2025, já que o país é o principal comprador do peixe brasileiro.

“Ainda que os exportadores estejam abrindo novas frentes, é difícil substituir o volume absorvido pelos Estados Unidos no curto prazo”, afirmou.

No médio prazo, o mercado europeu surge como alternativa promissora, especialmente após o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que prevê redução gradual e até isenção de tarifas sobre pescados brasileiros. Essa medida pode aumentar a competitividade dos produtos da piscicultura nacional quando as exportações para o bloco forem retomadas.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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