Publicado em: 21/10/2015 às 16:30hs
O produtor paranaense de alevinos de tilápia e peixes nativos, Adilar Venites tem uma propriedade de 50 mil hectares preparados, com cerca de 10 tanques, que produz mais de cinco toneladas de peixe por dia. O sucesso do seu negócio, que segundo o alevinocultor cresce a cada dia, é por ser um frequentador assíduo de cursos de desenvolvimento e gestão da cadeia aquícola. Para ele, quanto mais informações e capacitações, mais seu negócio e a produção crescem. Na incansável busca do saber, Venistes foi um dos participantes do Dia de Mercado da Aquicultura realizado pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Federação de Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Sindicato Rural de Toledo e Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER).
O evento ocorreu na tarde da última quinta-feira, (14/10), em Toledo (PR). “Esse tipo de evento nos ajuda a estar melhor preparados, além de nos proporcionar conhecimento do mercado de outras localidades”, observou. Além de Adilar, mais de 150 produtores da região Oeste do Paraná, que engloba mais de 50 municípios, estiveram presentes no evento.
O Dia de Mercado tem o objetivo de levar informações técnicas e gerenciais aos piscicultores, a fim de que possam otimizar a gestão de sua atividade. Nesta edição, quatro palestras específicas para a cultura na região trouxe debates de temas relevantes, como: mercado, custo de produção, cooperativismo e licenciamento ambiental. “Esse evento é de extrema importância para nossa região, principalmente pelo momento de crescimento que estamos vivendo na área da piscicultura”, comentou o presidente do Sindicato Rural de Toledo, Nelson Paludo. Ele acrescenta que hoje a cidade de Toledo tem seis frigoríferos pequenos e uma produção de 40 milhões de toneladas de tilápia por ano. “Estamos com um polo frigorífero em construção, onde terão mais três empresas. Nossa produção deve atingir a meta de 50 milhões de toneladas”, frisou.
O secretario de Agricultura do Paraná, José Augusto de Souza, disse que a região Oeste do Paraná é a mais importante na produção de tilápia. “As palestras vão incentivar a atividade na região e acender uma luz, proporcionando novos investimentos ao setor”.
Durante a abertura, o coordenador do núcleo econômico da CNA, Renato Conchon, falou sobre o Projeto Campo Futuro, que faz o levantamento de dados sobre os custos de produção de diversas cadeias produtivas, tanto animal quanto vegetal. “A iniciativa tem foco na gestão da propriedade com ênfase no mercado futuro e na analise de riscos. Nos levantamentos que fazemos percebemos as deficiências do produtor principalmente na gestão da propriedade rural”, observou.
Nos ciclos de palestras do evento, o primeiro palestrante, o engenheiro de pesca do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Taciano Freire Maranhão, falou sobre a importância do licenciamento ambiental. De acordo com ele, o Paraná iniciou um amplo trabalho na piscicultura do estado para fortalecer a criação de peixe como atividade comercial. “Hoje, existem mais de 1,5 mil licenciamentos ambientais na atividade, no Paraná, e mais 300 processos e, andamento”, informou. Maranhão ressaltou para os participantes, que a licença ambiental é essencial ao possibilitar segurança jurídica, obtenção de linhas de crédito, valorização da propriedade e certificação internacional.
O representante da Cooperativa Agroindustrial da Piscicultura (Copisces), Ricardo Krause, falou sobre a comercialização de tilápia no Paraná, estado maior produtor no Brasil. Ele informou que entre 2006 a 2012 houve um crescimento de 88% na produção do peixe no estado. “Muito do incremento foi em razão das melhorias na oferta do produto, como retirar do peixe toda a espinha e vender apenas o filé”, comentou. O palestrante ressaltou que o mercado e o consumo aumentam diariamente e que 2013 foi o ano que o brasileiro tomou gosto pela tilápia. “O consumo per capita por ano em 2015 será de 12 kg. Apesar do aumento, ainda é preciso vencer alguns desafios da cadeia, como dificuldade de obtenção de crédito, custos altos de produção e de energia elétrica e mão de obra qualificada escassa”, finalizou.
Por fim a assessora técnica de Aquicultura e Pesca, Lilian Figueiredo, e o presidente da Comissão Nacional de Aquicultura, Eduardo Ono, ambos da CNA, falaram sobre os custos de produção no setor e cenários e perspectivas do mercado de peixe no Brasil, respectivamente. Segundo Lilian, hoje a falta de dados fidedignos sobre os pescados brasileiros impossibilita conhecer os custos de produção no Brasil. No entanto, assegura a assessora, observa-se que o maior custo dos pescados é a ração. “Apesar do crescimento continuo da aquicultura no País, a cadeia produtiva ainda tem muitos desafios pela frente, tais como padronização do produto e burocracias para regularizar as pequenas indústrias”, acrescentou Ono.
Fonte: Assessoria de Comunicação CNA
◄ Leia outras notícias