Publicado em: 23/03/2026 às 16:30hs
A decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de classificar o pirarucu (Arapaima gigas) como espécie exótica invasora fora de sua área natural, por meio da Instrução Normativa nº 7/2026, gerou forte reação no setor aquícola e acendeu um alerta sobre os impactos na piscicultura brasileira.
A medida, que afeta diretamente a produção e os investimentos, mobilizou produtores e entidades diante do risco de insegurança jurídica e restrições à expansão da atividade.
A nova classificação foi recebida com surpresa por agentes do setor, especialmente porque o tema ainda estava em discussão na Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio).
A falta de alinhamento institucional e de diálogo prévio levantou questionamentos sobre a condução do processo e os impactos práticos da medida para a cadeia produtiva.
Considerado uma das espécies mais promissoras da piscicultura brasileira, o pirarucu já possui produção consolidada em diversos estados e apresenta alto potencial de crescimento.
Com a nova classificação, o ambiente de negócios pode ser diretamente afetado, comprometendo investimentos, planejamento produtivo e a segurança jurídica dos produtores em todo o país.
Para Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), a medida gera preocupação e evidencia inconsistências nas políticas públicas voltadas ao setor.
Segundo ele, a decisão ocorre sem o devido diálogo em um tema sensível e estratégico. Medeiros ressalta que o pirarucu tem papel relevante na geração de renda e no desenvolvimento regional, sendo peça-chave para o avanço da aquicultura nacional.
O dirigente também destaca um paradoxo regulatório: anteriormente, políticas públicas incentivavam a produção da espécie, enquanto agora há uma mudança que pode restringir sua utilização, criando um ambiente de incerteza para o setor produtivo.
Diante do cenário, a PEIXE BR defende a revisão da Instrução Normativa nº 7/2026 e reforça a necessidade de construção conjunta de políticas públicas.
A entidade também cobra uma atuação mais ativa do Ministério da Pesca e Aquicultura, com foco em garantir previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade para os produtores.
A nova classificação do pirarucu pode redefinir o cenário da piscicultura no Brasil, especialmente em regiões onde a espécie já está consolidada como alternativa produtiva.
O setor segue atento aos desdobramentos da medida, enquanto busca diálogo com o governo para evitar impactos negativos sobre a produção, os investimentos e o desenvolvimento da cadeia aquícola nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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