Publicado em: 26/03/2026 às 10:10hs
A piscicultura brasileira passa por um momento de transformação e reposicionamento estratégico no mercado internacional. Diante de barreiras comerciais e da forte dependência dos Estados Unidos, o setor tem intensificado a busca por novos destinos para as exportações de tilápia, com destaque para países da América Latina.
Atualmente, cerca de 92% das exportações brasileiras de tilápia têm como destino os Estados Unidos, o que acende um alerta para o setor quanto à concentração de mercado.
Para o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, o cenário exige mudança de estratégia, mas também abre oportunidades.
Segundo ele, a tilapicultura nacional entra em um ciclo promissor, com potencial de crescimento, ainda que acompanhado de desafios estruturais e comerciais.
Apesar da concentração em um único mercado, o setor tem demonstrado resistência. De acordo com o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, as exportações cresceram cerca de 2% no último ano.
Esse avanço ocorreu mesmo após a implementação de tarifas comerciais, evidenciando a competitividade do produto brasileiro. Ainda assim, especialistas reforçam a necessidade de diversificação para reduzir riscos.
Com a necessidade de ampliar destinos, países latino-americanos ganham relevância na estratégia do setor.
O México aparece como um dos principais alvos. O país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, volume expressivo que representa mais da metade do que os Estados Unidos compram.
Apesar do potencial, a presença brasileira ainda é limitada, indicando espaço para crescimento.
Outros mercados, como Colômbia e Peru, também despontam como oportunidades, principalmente pela proximidade geográfica, que pode garantir vantagem logística frente a concorrentes asiáticos.
Um dos principais entraves para a expansão das exportações brasileiras não está na produção, mas na industrialização.
Atualmente, o Brasil exporta majoritariamente filé fresco de tilápia, produto de maior valor agregado, porém com menor escala. No mercado internacional, o maior volume está concentrado no pescado congelado, segmento dominado por países como China e Vietnã.
Esse cenário tem levado o setor a discutir mudanças estruturais para aumentar a competitividade.
A possível flexibilização de regras industriais é vista como um ponto-chave para ampliar a participação brasileira no mercado global de tilápia.
Segundo especialistas, ganhos de competitividade nessa área podem ocorrer mais rapidamente do que avanços na produção, que demandam mais tempo e investimentos.
A melhoria da eficiência industrial é considerada essencial para reduzir a diferença em relação aos concorrentes asiáticos e acessar mercados de maior volume.
Além das questões internas, o setor enfrenta obstáculos externos relevantes, como o embargo do mercado europeu ao pescado brasileiro desde 2017.
A reabertura desse mercado depende de negociações diplomáticas e adequações sanitárias, fatores que estão fora do controle direto dos produtores, mas que impactam a estratégia de exportação.
Diante de um ambiente mais competitivo, a articulação entre entidades, indústria e centros de pesquisa tem ganhado importância.
A atuação conjunta entre a PEIXE BR e a Embrapa tem auxiliado na identificação de oportunidades e na orientação estratégica das empresas, oferecendo informações sobre tendências e mercados potenciais.
A ampliação de mercados deve marcar a próxima fase da tilapicultura brasileira, com foco tanto no mercado externo quanto no interno.
Além da tilápia, espécies nativas como o tambaqui também aparecem como alternativas de crescimento, principalmente no longo prazo.
Para o setor, 2026 deve ser um ano voltado à expansão de mercado, com maior inserção internacional e aumento da competitividade como fatores centrais para o desenvolvimento da atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias