Publicado em: 16/01/2026 às 12:00hs
Após um 2025 marcado por ajustes e desafios no comércio internacional, a piscicultura brasileira entra em 2026 com bases mais sólidas e expectativas moderadas de crescimento. Segundo Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados — o maior projeto de piscicultura de São Paulo e um dos maiores do país —, o setor vive um momento de profissionalização e inovação tecnológica, mas ainda depende de avanços nas negociações comerciais e na estabilidade das normas ambientais.
“A demanda segue firme e os investimentos em tecnologia continuam evoluindo. No entanto, o ritmo de crescimento em 2026 dependerá diretamente das negociações estratégicas e da segurança regulatória”, destaca Kubitza.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos à tilápia brasileira continuam sendo o principal desafio para o segmento exportador. Em 2025, o aumento das taxas reduziu a competitividade do produto no maior mercado importador do mundo, forçando as empresas a buscarem novos destinos comerciais.
“O setor aguarda o desfecho das tratativas entre Brasil e EUA. Uma possível redução ou reversão das tarifas devolveria competitividade imediata à tilápia nacional, impactando diretamente o planejamento produtivo e os investimentos”, explica Kubitza.
Uma eventual retomada da competitividade no mercado norte-americano é considerada estratégica para o escoamento da produção e para o equilíbrio do mercado interno.
Enquanto o mercado norte-americano segue em negociação, a União Europeia volta a ser vista como um dos principais caminhos para ampliar a presença internacional da piscicultura nacional. As exportações para o bloco estão suspensas desde 2018, mas o setor demonstra otimismo com a reabertura.
“A tilápia ainda não é tradicional no consumo europeu, mas o Brasil reúne condições ideais — oferta regular, padrões sanitários rigorosos e indústria moderna — para conquistar esse mercado”, afirma o diretor da Fider.
Para 2026, a expectativa é de avanços em alinhamento regulatório e promoção comercial, elementos fundamentais para ampliar a presença da tilápia brasileira no cenário global.
No âmbito interno, o debate regulatório também segue no centro das atenções. Em 2025, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, propôs incluir a tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, o que gerou forte reação da cadeia produtiva.
“A tilápia é a espécie mais cultivada do país. Qualquer mudança nesse enquadramento poderia impor restrições severas à expansão da atividade”, alerta Kubitza.
A proposta foi suspensa em dezembro de 2025, trazendo um alívio momentâneo, mas o tema deve retornar em 2026, segundo o setor. A expectativa é que o governo assegure segurança jurídica e reconhecimento do papel estratégico da tilápia na geração de empregos, renda e abastecimento alimentar do país.
Apesar das incertezas, as perspectivas para o mercado doméstico seguem positivas. O consumo de pescado cresce de forma constante, impulsionado pela busca por proteínas mais saudáveis e pela diversificação alimentar.
A indústria avança em áreas estratégicas como genética, nutrição, biosseguridade e processamento industrial, fatores que fortalecem a competitividade brasileira frente a outros países exportadores.
“A Fider mantém os planos de ampliar a capacidade produtiva e de inovar em processos, explorando oportunidades dentro e fora do Brasil”, reforça Kubitza.
Para Juliano Kubitza, o desempenho da piscicultura brasileira em 2026 dependerá do andamento das agendas internacional e regulatória. Caso evoluam de forma favorável, o ano tem potencial para ser marcado por crescimento consistente, eficiência produtiva e fortalecimento estrutural do setor.
“A cadeia da piscicultura está preparada — e atenta — para transformar desafios em novas rotas de expansão”, conclui o executivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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