Publicado em: 11/03/2016 às 13:45hs
O calor e a umidade, típicos dos meses de maior desafio para parasitas internos e externos nas regiões tropicais e subtropicais são propícios para a infestação dos temidos carrapatos. Pesadelo dos produtores e criadores de bovinos, o carrapato pode fazer um enorme estrago à indústria de gado de corte e couro, sendo ainda o principal agente transmissor da Tristeza Parasitária. Essa doença afeta o crescimento e desenvolvimento dos animais, ocasionando perdas de produção de carne e leite e distúrbios reprodutivos, com interferência direta na produtividade do rebanho. Se não tratada, pode levar à morte.
A dificuldade no combate do problema – que exige atenção redobrada no verão e outono – é acentuada pela crescente resistência do parasita aos carrapaticidas, resultado do controle inadequado, com dosagens erradas, falhas de aplicação e do uso de produtos não apropriados. Um desafio associado é que esses carrapatos resistentes sobrevivem e se reproduzem, sendo os seus filhos portadores desses genes de resistência, levando à falência total da eficácia da molécula.
As raças taurinas (europeias) têm maior sensibilidade ao carrapato que as zebuínas. Esse fator é de grande relevância, em especial à Raça Abeerden Angus, que vem se expandindo de forma para regiões onde o desafio parasitário é bastante acentuado. Umas das preocupações da Associação Brasileira de Angus é justamente oferecer aos seus associados capacitação para o controle do carrapato, permitindo a eles colherem os benefícios oferecidos pela genética Angus em rebanho puros ou em cruzamentos industriais.
Diante desse cenário, a Angus procurou a Elanco Saúde Animal e firmou parceria no fim do ano passado com o intuito de capacitar os criadores e funcionários associados para criar um programa efetivo de controle dos carrapatos. “O treinamento visa informar desde a etiologia do carrapato e seu ciclo de vida, até o manejo adequado dos produtos, de forma didática e prática”, explica Octaviano Pereira Neto, consultor técnico da linha de bovinos da Elanco.
A escolha do carrapaticida adequado é uma das bases de um controle químico dos carrapatos, devendo associar-se à medidas de manejo que favorecem o controle parasitário. É importante que o produtor avalie a sensibilidade dos carrapatos em relação aos carrapaticidas ao traçar medidas de controle.
Uma forma de evitar o problema é usar produtos que impedem o desenvolvimento do carrapato, interrompendo o ciclo de vida do parasita. Os chamados Reguladores do Crescimento de Insetos (IGR) tem o diferencial da proteção prolongada contra o aparecimento de formas adultas, já que agem durante um período de 8 a 12 semanas, reduzindo a infestação dos animais e da pastagem. Geralmente, o parasita começa a aparecer na primavera. As larvas que ficam nas pastagens sobem nos bovinos, caindo novamente para depositar novos ovos. Cada fêmea que cai no solo pode gerar de 1.500 a 3.000 novas larvas. Consequentemente, há o nascimento de uma segunda geração, que irá infestar os bovinos no verão. Desse ciclo, nascem novos parasitas que atuarão no outono. Os IGRs atuam justamente na mudança de fase larval do parasita para sua fase ninfa, impedindo que os carrapatos sobrevivam após a sua metamorfose e evitando, assim, um novo ciclo de reprodução. Também reduzem a carga parasitária na pastagem, uma vez que, ao pastar no ambiente infestado, o bovino tratado recolherá as larvas presentes no pasto e estas morrerão antes de chegar à vida adulta, reduzindo assim a infestação no ambiente. Sua forma de aplicação, diretamente no lombo do animal, evita desperdícios e erros na dosagem.
“Um animal bem protegido contra parasitas externos é um animal mais saudável, portanto, mais produtivo”, finaliza Octaviano.
A primeira etapa do treinamento contemplará cerca de 90 associados da Angus nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A perspectiva é que o treinamento seja estendido para outras regiões a partir de 2017.
Fonte: Ketchum Brasil
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