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Sistemas de produção com Integração Lavoura-Pecuária, ou mesmo Integração Lavoura-Pecuária-Floresta representam a evolução mais recente da agricultura. Embora muitos aspectos estejam ainda para serem descobertos, aprendidos e entendidos para a melhoria do sistema, muito já se fez. Nos primeiros tempos se utilizava como forrageira, principal produtora de palhas, quase unicamente espécies de braquiárias. Atualmente se encontra uma variedade maior de espécies cultivadas, o que é positivo, já que trabalhar com apenas uma espécie acarreta maiores riscos a todo o sistema, tornando-o mais vulnerável.

Embora a utilização de maior número de espécies se constitua numa evolução do sistema de produção em relação ao uso exclusivo da braquiária, com a diversificação - em geral - há necessidade de melhor qualidade de gerenciamento que os sistemas mais simples. Algumas vezes, a não adoção de algumas técnicas ou espécies em rotação se deve mais à deficiência de gerenciamento e/ou máquinas do que ao clima, por exemplo. Um problema adicional é a instabilidade dos mercados e a falta de gerenciamento da comercialização. Desta forma, ou o agricultor se prende ao seu sistema de rotação, saindo do ótimo econômico, ou obedece ao mercado, saindo do ótimo gerenciamento do sistema. A falta de pessoas capacitadas para um bom gerenciamento do sistema tem sido um dos entraves ao seu desenvolvimento. Aliás, a falta de gente qualificada tem sido um obstáculo ao crescimento de diversas áreas de atividade no Brasil. Há necessidade de se convencer as universidades brasileiras, principalmente aquelas com vocação agrícola, a envolver mais gente e mais recursos na formação de pessoal qualificado no desenvolvimento e gerenciamento de sistemas de produção agrícola.

Um entrave observado na maioria das propriedades que desenvolvem sistemas de produção agrícola com rotação de culturas e algum tipo de integração com a pecuária, é a dependência do uso de adubo nitrogenado para o sucesso do sistema. Na maior parte das propriedades pode se observar carência de nitrogênio no sistema. Mesmo com custos maiores, o resultado econômico do uso de maiores doses de nitrogênio pode ser vantajoso, afinal a integração nada mais é do que um melhor aproveitamento dos recursos que estão disponíveis. Normalmente, uma propriedade que utilizaria num sistema convencional entre 60 a 80% dos seus recursos, passa a utilizar cerca de 90% a 95% de seus recursos num sistema integrado. Desta forma, um melhor entendimento da dinâmica do N nos sistemas seria importante para se tentar melhorá-lo. Ainda, seria interessante que se viabilizasse o uso de mais leguminosas no sistema, procurando-se diminuir o custo e melhorar a sustentabilidade.

Cabe destacar que apesar de se classificar os sistemas de produção como Integração Lavoura-Pecuária, os estabelecimentos agrícolas apresentam grandes diferenças nas espécies empregadas e nas formas de manejo. De forma geral, é interessante o uso de uma espécie de alto valor agregado no sistema, tais como algodão ou feijão. O problema é que a introdução destas espécies torna o sistema mais complexo e de gestão mais difícil, além de se diminuir, por um ciclo, o aporte de palha.

Em muitas propriedades, mesmo conduzidas em alto nível tecnológico, muitas vezes contando com assessorias específicas, ainda persistem procedimentos em que o mais básico da ciência agronômica é, até certo ponto, negligenciado. Por exemplo, apesar do volume de resultados mostrando a falta de resposta aos micronutrientes em diversas situações, o uso de zinco, manganês, boro, e por vezes outros micronutrientes, ainda é generalizado. A análise de solo para fins de fertilidade nem sempre é feita todos os anos, e raramente se encontra um resultado na profundidade de 20 a 40 cm, o que ajudaria no diagnóstico de, por exemplo, falta de enxofre. Mas, a quantidade de fertilizantes utilizada nem sempre leva em conta o resultado da análise de terra.

Assim, embora não existam mais dúvidas quanto à necessidade, utilidade e benefícios da adoção de sistemas de produção agrícola com rotação de culturas, se possível em semeadura direta e integração com pecuária e/ou florestas, sua adoção mais generalizada ainda depende muito da pesquisa e do ensino nesta área.

Sobre o CCAS


Conselho Científico para Agricultura Sustentável- CCAS é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011,com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados a sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara,sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa sejam colocados a disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

Por Ciro A. Rosolem – Professor Titular da FCA/UNESP/Botucatu, Membro do CCAS – Conselho Científico para Agricultura Sustentável.

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Data de Publicação: 25/05/2012 às 08:15hs
Fonte: Alfapress Comunicações
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