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Praga na mandioca leva agricultores a sucesso com cultivo de banana

O agricultor Wesley Freitas Gomes, morador do assentamento Contagem (região administrativa de Sobradinho II), tinha na mandioca sua principal fonte de renda. Uma praga na lavoura, porém, pôs o negócio a perder em 2015. Orientado pelos extensionistas da Emater-DF, Wesley passou a plantar bananas e, desde então, só tem tido sucesso. Hoje, consegue colher até quatro safras por ano, numa lavoura que rende 3 mil caixas da fruta em 2,5 hectares.

“A lucratividade com a banana é até três vezes maior que a da mandioca. Além disso, é possível trabalhar na sombra”, comemora Wesley. O agricultor conta ainda que a mandioca exige arar a terra a cada colheita. “Com a banana, a gente aproveita a mesma cova por até dez anos”, explica. A espécie escolhida foi a banana prata anã — mais resistente ao vento e a pragas. Wesley, de 39 anos, produziu mandioca desde a juventude e cultiva bananas há pouco mais de dois anos.

O sucesso com a fruta contagiou os produtores da região. “Hoje cerca de 20 famílias daqui do assentamento estão plantando bananas. Nos associamos à Cootaquara (Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina) e estamos fornecendo frutas para os programas de compras públicas do GDF”, conta Wesley. O agricultor se refere ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que destina produtos da agricultura familiar a entidades sócio-assistenciais, e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que alimenta os estudantes das escolas públicas de Brasília.

A mãe de Wesley, a agricultora Maria Roseli de Freitas, acompanha o filho na nova fase. “Quando plantávamos mandioca, era muito mais trabalhoso: depois de oito meses vinha a colheita, a terra estava vazia, dava um desânimo… hoje, nosso entusiasmo renovou, pois os pés de banana sempre estão vistosos, prontos para dar mais frutas e aumentar a nossa renda”, diz a produtora, que possui uma propriedade ao lado de Wesley.

Alternativa — O engenheiro agrônomo Marcelo Ruas, do escritório da Emater-DF em Sobradinho, explica que a banana é uma boa alternativa de renda para os produtores rurais. “Com três milhões de habitantes, Brasília é um grande e próximo mercado consumidor. Grande parte da fruta que consumimos é importada de outros estados. Além disso, a banana pode ser explorada de outras formas, como na fabricação de doces e frutas desidratadas, o que aumenta o valor do produto. Outras vantagens são o fácil manejo da lavoura e o uso mínimo de agrotóxicos”, enumera.

Com 180 hectares plantados, o Distrito Federal produziu, em 2018, pouco mais de 4 toneladas de banana. Planaltina (30%), Sobradinho (26%), Brazlândia (15,6%) e Ceilândia (14,9%) são as principais regiões administrativas onde a fruta é cultivada. A espécie mais trabalhada é a prata — a preferida do consumidor.

Agroindústria

Com apoio do escritório da Emater-DF, os produtores da região do Contagem montaram uma associação para investir no processamento da banana. “O objetivo é incrementar o valor do produto, de forma que eles terão mais opções para fornecer tanto ao mercado consumidor quanto aos programas de compras institucionais”, explica o técnico em agroindústria Fábio Costa, da Emater-DF em Sobradinho.

Fábio conta que os produtores já adquiriram uma câmara fria com recursos do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) da Secretaria de Agricultura e agora estão fazendo testes com banana desidratada, banana passa, chips e doce — nas formas pastosa e de corte. “Estamos finalizando o projeto da agroindústria e avaliando quais serão os maquinários e estruturas necessárias”, acrescenta o extensionista.

Aproveitamento integral

De acordo com a técnica em agroindústria Yokowama Cabral, da Emater-DF, é possível fazer o aproveitamento integral da bananeira. “Do caule às folhas, passando pela raiz e até a casca da fruta, utilizamos os produtos tanto na gastronomia como até em artesanato e construções”, explica. Yokowama faz um resumo de tudo que se extrai da planta e como pode ser aproveitado:

– coração da banana (a parte onde nascem os cachos): antepasto salgado e conserva doce;- casca: refogada ou à milanesa;
– banana verde: preparo em chips ou amassada com torresmo (receita da República Dominicana);
– banana madura: doce, geleia, compota, cuca, pão, licor, desidratada etc;
– folha da bananeira: pode ser usada para embrulhar carnes e assar;
– fibras, folhas e tronco: material para artesanato – caixas, cachepôs, bijuterias etc;
– tronco: usado em construções

Data de Publicação: 06/01/2020 às 15:00hs
Fonte: EMATER-DF
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