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O ano do dólar barato

Mais do que qualquer outra moeda no mundo, o real pode ser um dos principais ganhadores da tendência do dólar fraco em 2019. Se o governo de Jair Bolsonaro conseguir aprovar a reforma da Previdência, há quem aposte numa moeda americana testando o nível de R$ 3,50.

Em 2018, o dólar valorizou-se 4,2% ante uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos e principais parceiros comerciais dos americanos, como o euro e o iene. Já em relação ao real brasileiro, o dólar subiu quase 17% no ano passado, quando fechou a R$ 3,8755.

Foram o discurso mais duro e as ações do Federal Reserve (Fed), além do crescimento mais forte da economia dos Estados Unidos em relação ao resto do mundo, que alimentaram a força do dólar em 2018. O BC americano, por exemplo, elevou os juros quatro vezes no ano passado, além de ter reduzido o tamanho do seu balanço patrimonial, o que, na prática, significou um aperto na liquidez dos mercados. Ou seja, o Fed subiu juros mais do que outros países em 2018 e disse que ia fazer o mesmo em 2019.

Já em janeiro deste ano, o dólar perdeu 0,48% ante a cesta de seis moedas de países desenvolvidos. Contra as moedas emergentes, o desempenho foi pior. Em relação ao real, o dólar recuou 5,6%, encerrando o mês passado a R$ 3,6590.

Essa aposta de que 2019 será o ano do dólar mais barato ganhou força na semana passada, quando, após a reunião de política monetária do Fed, o presidente do BC americano, Jerome Powell, praticamente tirou da mesa a possibilidade de altas de juros neste ano, sinalizando uma pausa no atual ciclo de aperto monetário enquanto a inflação não voltar a acelerar e houver ainda a ameaça de uma desaceleração mais forte da economia global.

O Fed ainda projeta oficialmente duas altas dos juros americanos neste ano, mas é provável que essa estimativa seja revisada para uma ou nenhuma elevação na sua próxima reunião de política monetária, marcada para março.

Powell também sinalizou que deve encerrar antes do previsto o processo de redução do balanço patrimonial do Fed, o qual deve ficar com um tamanho maior do que inicialmente esperado. Assim, o aperto nas condições de liquidez deve ser menor.

Nessa receita para um dólar mais fraco neste ano, do ponto de vista do ambiente externo, falta um ingrediente: um acordo entre Estados Unidos e China para acabar com a guerra comercial. Os analistas estão mais otimistas de que isso venha acontecer no curto prazo.

Até o início de fevereiro, contudo, o dólar não se enfraqueceu tanto quanto se esperava em relação às moedas de países desenvolvidos, como o euro e a libra esterlina. Isso se explica porque essas economias também estão passando por problemas: desaceleração mais pronunciada na zona do euro e incertezas políticas com o imbróglio do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Assim, mesmo que os fundamentos apontem para um dólar mais fraco globalmente, como os investidores poderão migrar para outras moedas fortes se as economias desenvolvidas também se encontram em apuros?

Restam, portanto, moedas de países emergentes, exceto se a economia da China não se desacelerar mais do que o previsto e crescer muito abaixo de 6% neste ano.

Mas se a economia chinesa tiver um pouso suave, o Brasil está bem posicionado para receber o fluxo de dinheiro que pode migrar das aplicações em dólar. O Produto Interno Bruto (PIB) deve acelerar em 2019, especialmente se a reforma da Previdência for aprovada, injetando a confiança dos investidores de que os gastos do governo e a dívida pública entrarão numa trajetória mais saudável.

Em 2018, os analistas preveem que a economia brasileira cresceu 1,25%. Em 2019, a expansão prevista é de 2,50%, mas esse crescimento poderá ser bem maior com a aprovação da reforma da Previdência. E o reflexo disso pode ser uma forte apreciação do real ante o dólar.

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Data de Publicação: 07/02/2019 às 18:20hs
Fonte: O Estado de S. Paulo
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