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Guerra comercial entre EUA e China, peste suína africana e estiagem causaram mais impactos negativos ao segmento de grãos do que a Covid-19

Se, por um lado, a pandemia de Covid-19 reverteu expectativas de crescimento, reduziu a produção de bens e a oferta de serviços e encolheu o emprego e a renda, por outro, em alguns setores, ela não teve uma grande influência. No segmento de grãos, por exemplo, outros fatores externos e internos, como a guerra comercial entre EUA e China, a peste suína africana e a estiagem, geraram mais impactos para os produtores brasileiros do que propriamente o novo coronavírus. A análise é do Relatório Setorial Agro - Segmento de Grãos, terceiro estudo publicado pela Bateleur, desde maio, com o objetivo de mapear os impactos econômicos da Covid-19 e as perspectivas para o futuro.

Mais do que levantar dados de fontes consolidadas como Rabobank, IBGE, Comex, Emater e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o relatório interpreta e analisa o agronegócio brasileiro à luz do atual contexto. Embora ainda existam incertezas devido aos efeitos da pandemia, o estudo traça algumas perspectivas de futuro como, por exemplo, a recuperação das importações de soja pela China. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os chineses comprarão 94 milhões de toneladas em 2020 - 6,2% a mais do que no ano passado, quando a peste suína africana causou estragos e provocou uma retração na demanda. "A doença dizimou boa parte do rebanho suíno chinês. O problema é que metade das importações do grão feitas pela China são destinadas à alimentação deste rebanho. Por causa da peste, os chineses deixaram de comprar", explica Ernani Carvalho, sócio da Bateleur que assina o relatório.

Se confirmada, a previsão de aumento das vendas pode beneficiar o agronegócio brasileiro, uma vez que o País é o principal fornecedor de soja para o mercado chinês. Até mesmo a guerra comercial entre EUA e China pode ajudar os produtores nacionais. No caso do Rio Grande do Sul, no entanto, não há muita razão para comemorar: a forte estiagem afetou a safra, que chegou a 10,6 milhões de toneladas - bem abaixo da expectativa de 19,7 milhões. "Vale lembrar que essa queda expressiva também é resultado de uma base de comparação alta, uma vez que a safra anterior atingiu recordes históricos", afirma Ernani, ressaltando que, em alguma medida, as perdas devem ser compensadas pela alta expressiva dos preços internos.

Outros grãos

O relatório da Bateleur também projeta as perspectivas para os mercados do milho, do arroz e do trigo. Assim como a soja, a expectativa é de que o milho siga com demanda firme, já que há uma recuperação do rebanho chinês, após a peste suína, e um aquecimento da pecuária brasileira. Já se vê, inclusive, uma certa concorrência, entre soja e milho, por espaços nos portos para o segundo semestre.

Da mesma forma, a perspectiva é otimista para os produtores de arroz. Beneficiado no início da pandemia pelos movimentos de estocagem, o grão brasileiro pode encontrar um espaço maior tanto pela substituição de importações quanto pelo surgimento de oportunidades de exportação.

Na cadeia do trigo, por outro lado, o movimento recente do câmbio traz um impacto negativo, uma vez que o Brasil, historicamente, depende de importações do grão. Por outro lado, com preços internacionais elevados, cria-se um incentivo à substituição dessas importações. Com isso, as estimativas dos produtores brasileiros seguem otimistas, dado que os preços atrativos devem resultar em uma maior área plantada com a cultura.

Em resumo: neste momento de crise mundial, o Brasil reafirma sua posição como um fornecedor confiável no abastecimento de produtos agropecuários, e tem, no seu agronegócio, um importante ponto de sustentação da economia durante a pandemia, além de uma poderosa alavanca para a retomada. "Mantendo-se atentos aos drivers específicos que regem cada um dos mercados, os produtores brasileiros e gaúchos certamente encontrarão oportunidades atrativas", destaca Ernani.

Relatório Setorial Agro Segmento de Grãos (2).pdf

Data de Publicação: 29/06/2020 às 17:40hs
Fonte: CDN
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