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BRASIL: País perde fatia do investimento direto global

Não é para menos. O país ainda sustenta uma posição bastante confortável, com US$ 80 bilhões em investimento estrangeiro em 12 meses até abril, volume que cobre com folga o déficit em conta corrente de US$ 34,1 bilhões.

Posto perdido- Precisa, no entanto, recuperar o posto perdido neste ano entre os maiores receptores de recursos estrangeiros ­ e aí o sucesso da aposta do governo em reanimar a confiança dos investidores será fundamental. Além de cobrir integralmente o déficit em conta corrente, o investimento direto no país (IDP) está mais pulverizado entre projetos e setores, o que deixa as operações menos arriscadas. O IDP também está mais voltado para setores exportadores, o que também é visto com bons olhos.

Ranking global- No ranking global, no entanto, o Brasil perdeu posições em 2016. Após pelo menos quatro anos entre os seis países que mais recebem investimento externo, o Brasil caiu para o 12 ºlugar no ranking da consultoria A.T. Kearney em 2016, em um total de 25 países. A consultoria usa como base dados da Unctad, que se baseiam na metodologia antiga do BC. A tendência, porém, é a mesma registrada pela metodologia atual.

Vantagens competitivas- "O país não deixou de ser atraente mas perdeu vantagens competitivas, já que o normal é estar entre os seis mais", diz o sócio da A.T. Kearney, François Santos. Além do Brasil, a América Latina só é representada no ranking pelo México, ainda mais atrás, na 18ª posição. "É como uma corrida de cavalo: o brasileiro sempre competia lá na frente, mas está perdendo posição relativa e o páreo está deixando de ser tão favorável".

Representatividade global- O país perde representatividade global justamente em um momento em que o cresce o apetite dos investidores externos por ativos em outros países, em um cenário de liquidez internacional ainda abundante. Em 2015, segundo a A.T. Kearney, o volume global de investimento externo alcançou US$ 1,7 trilhão ­ o maior desde 2007. Em 2016, 70% das 504 empresas da pesquisa dizem que vão aumentar recursos direcionados para fora de seus países.

Situação econômica- Considerando que o fluxo global de investimento vai crescer nos próximos três anos, diz Santos, seria importante que a situação econômica se revertesse o mais breve possível para que a gente consiga navegar nessa onda.

Mercado doméstico- Ele lembra que a atratividade do Brasil está ancorada em um mercado doméstico grande, mas o nível de transparência, a estabilidade regulatória e a corrupção o colocam atrás de outros países. Internamente, contudo, o fluxo de investimento estrangeiro é visto por especialistas como algo surpreendentemente bom e a tendência é que se mantenha nos níveis atuais, considerados altos.

Determinante - "Como o investimento é de mais longo prazo, a crise impacta, mas não é determinante", diz o economista da Rosenberg Associados, Rafael Bistafa. Segundo ele, o câmbio também tem papel importante nessa equação.

Ativos mais baratos- "Com a desvalorização do real, os ativos brasileiros ficaram relativamente mais baratos", diz o economista, cuja projeção é de investimento direto no país de US$ 75 bilhões tanto em 2016 quanto em 2017. Além de cobrir integralmente o déficit em conta corrente, diz o economista­chefe da Mapfre Investimentos, Luis Afonso Lima, o investimento direto estrangeiro está mais pulverizado entre projetos e setores, o que reduz o risco das operações.

Câmbio- Lima ressalta que os recursos estão mais voltados a setores exportadores graças à desvalorização cambial, e são liderados por um grupo de países historicamente relevantes e que volta a ter participação nesse tipo de fluxo, como Alemanha, México e Reino Unido.

Participação - Lima diz que a participação no total recebido pelo país dos investimentos até US$ 10 milhões cresceu 7,1 pontos percentuais entre o fim do ano passado e abril deste ano, o que é positivo, pois se trata de investimento com maior capilaridade, maior resistência à queda e menos suscetível a decisões individuais das empresas.

Países - Quanto aos países, o México ganhou maior participação sobre o total recebido em participação no capital, seguida por Alemanha e Reino Unido. "A Alemanha é um parceiro muito antigo, mas nos últimos anos vinha fazendo menos investimentos do que outros países. Logo, há mudança de mix de investimentos por origem e novos parceiros importantes", diz Lima, que é também diretor da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

Espalhados - Entre os países, ressalta Bistafa, os recursos também estão bastante espalhados. A diferença de investimento em participação de capital entre o primeiro colocado, a Holanda (US$ 1,4 bilhão), e a Alemanha, o quinto da lista, com quase US$ 1 bilhão, é pequena, pulverização que é vista entre setores também.

Setores - De janeiro a abril, entrou US$ 11,7 bilhões em participação. Os três principais setores [veículos automotores, petróleo e gás e comércio] corresponderam a US$ 3,4 bilhões, 30% do que entrou. Além disso, diz Lima, o mix está migrando para setores exportadores, com crescimento dos segmentos de agropecuária e, na indústria, principalmente veículos, o que seria um sinal de que as empresas estrangeiras estão voltando a olhar o Brasil como uma plataforma de exportação. "Há uma mudança no perfil de investimento de acordo com esses dados", diz Lima. Os dados positivos merecem, no entanto, ser relativizados.

IDP - Dentro do IDP, a fatia dos empréstimos intercompanhia ­ o capital transferido da matriz para a filial no Brasil, sem garantias de que se destinará ao investimento produtivo ­ subiu quase 30% entre janeiro e abril de 2016 em relação a igual período de 2015. Além disso, subiu de US$ 1,4 bilhão para US$ 2 bilhões em abril sobre abril do ano passado. Já a participação no capital, principal modalidade a indicar o interesse externo em projetos de longo prazo no país, subiu apenas 11% no trimestre. Para Bistafa, multinacionais com investimento no país recorreram ao empréstimo intercompanhia como fonte alternativa de financiamento.

Dinheiro novo- Lima lembra que a fatia de dinheiro novo dentro do total de recursos em participação em capital também caiu. Era de 87% de janeiro a abril de 2015 e passou a 77%. Outro ponto de preocupação, diz, é que suas contas indicam apreciação nominal e real do câmbio até o fim do ano, o que vai contra a onda nova de investimento direto voltado às exportações. Adicionalmente, ele ressalta a questão do fluxo internacional.

Queda - "Estamos perdendo fatia do investimento no mundo e caindo no ranking global de IDP", diz. Os países asiáticos que estão absorvendo uma parte muito maior do investimento, defende.

Data de Publicação: 08/06/2016 às 19:20hs
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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