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Arábia Saudita faz pressão para que BRF tenha produção no país

Em meio aos esforços estatais para reduzir a dependência de importações de carne de frango, a Arábia Saudita restringiu drasticamente as compras de alimentos produzidos na fábrica da BRF em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.

Na bolsa, as ações da BRF recuaram ontem 1,6%, a quarta maior desvalorização do Ibovespa. A informação sobre a barreira saudita foi antecipada na manhã de ontem pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

Oficialmente, os alimentos industrializados à base de frango feitos na unidade foram barrados depois de uma auditoria do governo, explicou uma fonte. A Arábia Saudita tem essa prerrogativa porque a fábrica, inaugurada em novembro de 2014, foi construída com incentivos fiscais do Conselho de Cooperação do Golfo - além dos sauditas, o órgão é composto por Emirados Árabes Unidos, Barein, Omã, Catar e Kuwait.

De acordo com duas fontes, porém, a avaliação é que a restrição imposta pelo governo saudita é um recado para a BRF. A Arábia Saudita não abre mão do objetivo de abastecer 60% da demanda doméstica por carne de frango com produção local a partir de 2020.

Na prática, a barreira do governo saudita tira o principal mercado da fábrica do Oriente Médio. Segundo uma das fontes, a Arábia Saudita absorve pelo menos 30% das vendas da planta de Abu Dhabi. No segundo trimestre, a BRF produziu aproximadamente 40 mil toneladas de produtos processados no mercado halal (que segue os preceitos muçulmanos).

Procurada pelo Valor, a BRF informou que “a planta de Abu Dhabi passa por auditoria para atestar o valor agregado da produção local, segundo as regras do GCC. A empresa tem estoque suficiente na região e direciona sua produção a outros mercados do Golfo até que o fluxo comercial seja totalmente restabelecido”.

Em favor da BRF, também pesa o fato de a exportação de carne de frango in natura a partir do Brasil para a Arábia Saudita, principal via da acesso da companhia no país, continuar normalmente.

Entre abril e junho, o negócio halal da BRF comercializou 258 mil toneladas de carne de frango in natura - o que inclui outros mercados que não apenas o saudita -, conforme o último balanço divulgado pela companhia. A receita líquida da BRF no mercado halal supera os R$ 8 bilhões por ano, cerca de 25% do faturamento. Com a marca Sadia, a companhia brasileira lidera o mercado de carne de frango do Oriente Médio.

Paralelamente à barreira aplicada à fábrica de Abu Dhabi, a BRF segue negociando com os sauditas a entrada no mercado local de carne de frango. Com isso, a companhia atenderia aos interesses do país de ampliar a oferta local da proteína.

As negociações da BRF na Arábia Saudita, porém, não são fáceis. De acordo com uma fonte graduada, a empresa brasileira manteve tratativas com a Saudi Agriculture and Livestock Investment (Salic), veículo de investimento ligado ao fundo soberano do país árabe. No entanto, a demissão do presidente da Salic, Matt Jansen, deu outro rumo às negociações.

Uma das possibilidades avaliadas pela BRF para fechar com um parceiro na Arábia Saudita era envolver justamente a fábrica de Abu Dhabi e as operações de distribuição de alimentos no Oriente Médio.

já informou, a BRF ofereceria uma fatia minoritária nesse ativos e, em troca, se tornaria sócia de um produtor de frango saudita. A Salic chegou a sinalizar com uma proposta de US$ 300 milhões - os ativos da BRF na região valem mais do que os negócios de produção de carne de frango na Arábia Saudita. Por isso, a empresa receberia esse montante.

Com a Salic mais distante, ainda não está claro como será a formatação do acordo na Arábia Saudita, mas a BRF corre contra o tempo para costurar um acordo. Uma fonte argumentou que as restrições à fábrica de Abu Dhabi e a parceria para a produção de frango na Arábia Saudita são questões independentes, mas não negou que o acordo com um produtor de frango do país ajudaria a resolver o imbróglio da fábrica.

Para a BRF, o ideal é anunciar o acordo com um parceiro saudita durante a visita do presidente Jair Bolsonaro ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, no fim de outubro. O CEO da companhia, Lorival Luz, acompanhará a missão presidencial. Conforme duas fontes, a BRF negocia com um produtor de frango de médio porte da Arábia Saudita e um desfecho favorável pode ocorrer em breve, embora problemas de última hora sejam comuns em negócios do gênero.

Data de Publicação: 14/10/2019 às 16:40hs
Fonte: AviSite
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