Publicado em: 07/04/2026 às 19:40hs
As vendas de colheitadeiras no Brasil registraram forte retração em fevereiro de 2026, com queda próxima de 50% na comparação anual, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O desempenho reflete um cenário macroeconômico mais restritivo, marcado por juros elevados, aumento de custos e mudanças no comportamento de compra dos produtores rurais.
De acordo com a entidade, foram comercializadas 142 colheitadeiras em fevereiro, número que representa recuo de 17% em relação a janeiro.
Na comparação com fevereiro de 2025, quando foram vendidas 281 unidades, a retração foi ainda mais expressiva, chegando a 49,5%.
No acumulado do primeiro bimestre de 2026, as vendas somaram 313 colheitadeiras, queda de 42,4% frente às 543 unidades registradas no mesmo período do ano anterior.
O resultado reforça o momento desafiador enfrentado pelo setor de máquinas agrícolas no país.
Segundo executivos do setor, o ambiente macroeconômico mais apertado tem levado produtores a adiar ou rever investimentos em máquinas.
Fatores como:
têm contribuído para a retração na demanda por colheitadeiras.
Além disso, o cenário internacional também influencia o mercado. As tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente com a guerra envolvendo o Irã, aumentam a volatilidade e pressionam custos logísticos e de insumos.
Outro fator relevante é a mudança no perfil de consumo dos produtores. A locação de colheitadeiras tem ganhado força no país como alternativa para reduzir custos e preservar o caixa.
Segundo a consultora econômica da Fenabrave, Tereza Fernandez, esse movimento tende a se intensificar ao longo do ano, diante de um cenário de maior cautela por parte dos produtores.
A busca por soluções mais flexíveis ocorre em meio à alta nos preços do diesel e dos fertilizantes, impulsionada pela elevação das cotações do petróleo.
O segmento de tratores apresentou comportamento semelhante. Em fevereiro, foram vendidas 2.662 unidades, alta de 40,8% em relação a janeiro.
No entanto, na comparação com fevereiro de 2025, houve queda de 29,5%, evidenciando que o setor ainda enfrenta dificuldades.
No acumulado de janeiro e fevereiro, as vendas de tratores totalizaram 4.552 unidades, recuo de 32,9% frente ao mesmo período do ano passado, conforme dados da Fenabrave.
O conjunto de fatores — econômicos, geopolíticos e estruturais — aponta para um momento de maior cautela no agronegócio. A combinação de custos elevados, crédito mais caro e novas estratégias operacionais, como a locação de máquinas, tende a continuar influenciando o comportamento de compra dos produtores ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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